PS Maia quer estratégia metropolitana para responder à crise da habitação

PS Maia quer estratégia metropolitana para responder à crise da habitação

14/10/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

A Carta Municipal de Habitação da Maia foi aprovada por unanimidade na reunião do executivo de 6 de outubro e deverá entrar em breve em discussão pública. Perante o agravamento das dificuldades no acesso à habitação, o PS Maia defende que as soluções não devem ficar limitadas ao concelho, apelando à criação de uma estratégia concertada à escala da Área Metropolitana do Porto.

Em comunicado, João Magalhães Torres, presidente da concelhia socialista, considera que é necessário passar do planeamento à concretização das medidas, alertando para o facto de ainda não terem sido entregues às famílias novas habitações dos projetos em construção no município.

O PS Maia volta também a defender a criação de um Programa Municipal de Arrendamento Acessível, destinado sobretudo a jovens e famílias da classe média, que enfrentam dificuldades crescentes para encontrar casa a preços comportáveis. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), citados pelos socialistas, a renda mediana dos novos contratos na Maia atingiu os 10,04 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026. Um valor que corresponde a cerca de 800 euros mensais por um apartamento T2 com 80 metros quadrados.

Perante este cenário, o partido desafia a Câmara Municipal a acelerar a preparação do programa e a apresentar, até ao final do ano, a proposta de regulamento para o arrendamento acessível.

A Carta Municipal de Habitação identifica 893 famílias em situação de carência habitacional, abrangendo cerca de 2.010 pessoas. O documento contempla ainda 788 soluções habitacionais, das quais 576 estavam contratualizadas em janeiro.

Para João Magalhães Torres, estes indicadores devem ser acompanhados por resultados concretos, capazes de demonstrar quantas famílias conseguem efetivamente aceder a uma habitação adequada às suas necessidades e aos seus rendimentos. O dirigente socialista considera igualmente essencial avaliar se as medidas adotadas estão a contribuir para reduzir o défice habitacional no concelho.

O PS Maia entende que essa avaliação não pode ignorar a realidade dos municípios vizinhos. A evolução dos preços, das rendas e da procura habitacional está interligada em toda a região, pelo que uma resposta exclusivamente municipal poderá revelar-se insuficiente.

Nesse sentido, João Magalhães Torres desafia o presidente da Câmara da Maia, Silva Tiago, a assumir um papel de liderança na definição de uma Estratégia Metropolitana para a Habitação, promovendo a articulação entre os diferentes municípios.

Os socialistas defendem, assim, que a aprovação da Carta Municipal constitua um ponto de partida para medidas efetivas, com objetivos mensuráveis e resultados concretos para a população, reforçando a cooperação metropolitana perante um dos principais desafios sociais da região.

Foto: DR