Governo anuncia fim do aterrro em Valongo. Autarquia exige que Governo avance sem demoras
06/11/2026O encerramento do aterro da Recivalongo, em Sobrado, poderá estar mais próximo. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou esta terça-feira, no Parlamento, que o Governo pretende pôr fim à actividade daquela infraestrutura. Uma intenção que mereceu uma reacção positiva da Câmara Municipal de Valongo, mas que a autarquia quer ver rapidamente transformada numa decisão efectiva.
O anúncio surgiu durante uma intervenção na Assembleia da República, na sequência de uma questão colocada pela deputada do Livre, Filipa Pinto, sobre os problemas associados ao funcionamento do aterro. Na resposta, a ministra indicou que o executivo não pretende manter a infraestrutura em funcionamento e que estão a ser analisadas alternativas para viabilizar o seu encerramento definitivo.
Para o município de Valongo, esta posição representa um avanço numa reivindicação antiga da população e da própria autarquia. Ainda assim, a Câmara considera fundamental que o Governo defina os próximos passos, estabeleça prazos e inicie, sem atrasos, os procedimentos necessários para concretizar o encerramento.
A preocupação ganha particular relevância tendo em conta que a actual licença de exploração termina a 1 de Dezembro. A autarquia pretende, por isso, perceber de que forma o anúncio da ministra se reflectirá na decisão sobre a eventual renovação da licença ambiental. Na perspectiva do município, prolongar a actividade sem estabelecer uma data para o encerramento seria enviar uma mensagem contrária ao compromisso agora anunciado pelo Governo.
A contestação ao aterro de Sobrado arrasta-se desde 2019, com moradores e responsáveis municipais a manifestarem preocupação com os impactos da sua actividade. No Parlamento, Filipa Pinto voltou a chamar a atenção para a proximidade do equipamento a zonas habitacionais, escolas e instalações desportivas.
A deputada destacou igualmente a localização do aterro sobre linhas de água e na envolvente da mina do Vale da Cobra, recordando as queixas relacionadas com poluição, odores desagradáveis e proliferação de insectos.
A Câmara Municipal de Valongo, presidida por Paulo Esteves Ferreira, garante que não vai baixar a guarda e que continuará a acompanhar o processo até que o encerramento seja uma realidade.
Entretanto, aguarda-se uma reacção da Recivalongo, que ainda não se pronunciou sobre a intenção manifestada pelo Governo.



