Ciclista que morreu durante prova da Volta a Portugal terá tido morte imediata
14/08/2026O ciclista britânico de 19 anos morreu esta sexta-feira, em Arcozelo, no concelho de Ponte de Lima, na sequência de uma colisão com um veículo ligeiro na Estrada Nacional 306, durante a passagem da Volta a Portugal.
O acidente ocorreu pouco depois da passagem da corrida pelo local, junto a uma curva. O alerta foi dado pelas 15h40.
Segundo a GNR, que acompanha o dispositivo de segurança da Volta a Portugal, a colisão ocorreu na parte mais atrasada do pelotão e envolveu o ciclista e um veículo ligeiro. Finlay Tazing, que corria pela equipa NSN, entrou em paragem cardiorrespiratória e, apesar da intervenção dos meios de socorro, morreu no local.
As circunstâncias concretas do acidente estão, contudo, ainda por esclarecer. O major Tiago Machado, da GNR, confirmou a colisão, mas sublinhou que é prematuro determinar como ocorreu o embate. Está em curso um processo de averiguação destinado a apurar a dinâmica do acidente.
Segundo informações recolhidas pela Rádio Metropolitana Porto, no local, tudo aponta para a possibilidade de o condutor de uma carrinha ter feito uma inversão de marcha por acreditar que o pelotão já tinha passado, acabando por embater frontalmente no ciclista. A mesma informação refere danos significativos tanto na bicicleta como no veículo. Esta versão não foi, até ao momento, confirmada oficialmente pelas autoridades.

Estado em que ficou a bicicleta de Finlay Tazing após o acidente.
Estrada cortada e forte aparato no local
Após o acidente, a EN306 foi cortada ao trânsito, permanecendo no local meios de emergência e autoridades. Moradores, turistas e outros populares tiveram de utilizar percursos alternativos.
Uma testemunha que assistiu à passagem da Volta a Portugal, cerca das 15h30, contou ter-se apercebido da ocorrência quando várias pessoas começaram a parar e se ouviram gritos a alertar para o acidente. A testemunha referiu ainda ter observado um forte aparato junto ao local, embora tenha optado por não se aproximar.
A organização da prova confirmou que foram mobilizados os meios disponíveis para prestar assistência, incluindo ambulância e equipas de socorro.
“É o dia mais duro no ciclismo desde que estou aqui”
O acidente provocou uma forte reação entre os responsáveis pela Volta a Portugal e pela Federação Portuguesa de Ciclismo.
Cândido Barbosa, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, manifestou profundo pesar pela morte do jovem e solidariedade para com a família.
“São situações muito difíceis e muito complicadas para todos, principalmente para a família. Só posso dar a máxima força possível.”
O responsável acrescentou que, perante a ocorrência, foram acionados os meios de socorro disponíveis.
“Podem imaginar que é um momento muito duro. Aconteceu a este miúdo, mas podia acontecer a qualquer outro. Estamos todos os dias na estrada e tenho muitas aventuras e muitos momentos que me vêm à cabeça. Não é fácil. Para mim, é o dia mais duro no ciclismo desde que estou aqui”, afirmou.
Também o diretor da Volta a Portugal, Ezequiel Mosquetão, salientou que a segurança dos corredores é uma prioridade ao longo da competição.
“Temos sempre presente a máxima segurança de todos os ciclistas dentro da caravana. Existe um forte dispositivo policial ao longo de toda a etapa, quer móvel, quer estático, em vários locais, precisamente para prevenir e garantir a maior segurança possível”, explicou.
Corrida afetada pela tragédia
O acidente ocorreu durante uma etapa em andamento e obrigou à mobilização de meios de emergência e das autoridades. A prova acabou por ser afetada pela ocorrência, enquanto eram recolhidos elementos para esclarecer o sucedido.
Ao longo dos quilómetros seguintes, milhares de espectadores permaneceram junto à estrada. Muitos mantiveram-se no local mesmo depois de a corrida ter sido neutralizada e a etapa cancelada, aplaudindo os corredores que ainda passavam.
Num momento marcado pela tragédia, esse comportamento acabou por assumir um significado particular: o público permaneceu junto à estrada num gesto espontâneo de respeito e solidariedade para com os ciclistas.
A morte de Finlay Tazing deixa assim a Volta a Portugal marcada por uma tragédia, enquanto as autoridades continuam a investigar as circunstâncias da colisão que vitimou o jovem corredor britânico.
Fotos: DR



