Videovigilância no Porto já permitiu cerca de quatro mil extrações de imagens para apoiar investigações criminais

Videovigilância no Porto já permitiu cerca de quatro mil extrações de imagens para apoiar investigações criminais

19/08/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

A primeira fase do sistema de videovigilância do Porto já permitiu cerca de quatro mil extrações de imagens para apoio a investigações criminais, revelou esta quarta-feira o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, numa conferência de imprensa dedicada à segurança na cidade.

O reforço do sistema vai avançar com mais 44 câmaras nas zonas já abrangidas, além da implementação prevista para Ramalde e da instalação de novo software. O investimento global na rede de videovigilância ascende a 5,6 milhões de euros, abrangendo quase 300 equipamentos.

“Temos um plano de videovigilância muito ambicioso. Somos o concelho do país que mais investiu e mais apostou nesta área”, afirmou Pedro Duarte durante a conferência de imprensa.

O autarca destacou o “efeito duplo” desta aposta: por um lado, o caráter “dissuasor e preventivo” das câmaras e, por outro, o apoio à investigação criminal, permitindo “identificar, localizar comportamentos criminosos para que depois se possa atuar”.

Pedro Duarte considera que os resultados obtidos até agora são “muito positivos” e demonstram que o sistema está a produzir “um efeito concreto”.

A situação de insegurança associada à noite na Baixa do Porto esteve também em destaque na conferência de imprensa. O presidente da Câmara afirma não ter dúvidas de que os principais “focos de insegurança” existentes na cidade estão “praticamente todos associados ao problema da droga”.

Para combater o fenómeno, Pedro Duarte defende uma maior adequação da legislação à realidade atual. “Tem que haver sensibilidade das instâncias nacionais porque a legislação tem que se adequar àquilo que é a dinâmica, a realidade e o contexto, hoje em dia, do nosso país”, sustentou.

Entre os problemas identificados está a venda simulada de substâncias ilegais. Pedro Duarte considera que “a venda simulada de substâncias ilegais não pode acontecer” e defende que devem ser dadas condições às forças de segurança para atuar no terreno.

O autarca apontou, em particular, as dificuldades de enquadramento legal de situações em que aquilo que é vendido como droga é, afinal, uma substância falsa. “O poder judicial tem que ter uma atitude diferente a interpretar este tipo de casos e, se necessário, a legislação tem que ser alterada para poder, de facto, dar um enquadramento que permita criminalizar e atuar”, afirmou.

Pedro Duarte considerou ainda “inaceitável haver o comércio e consumo de estupefacientes na via pública, independentemente da legislação e de todos compreendermos que a toxicodependência é um problema”.

“Não podemos, enquanto sociedade, ser penalizados por essas circunstâncias”, defendeu, acrescentando que é necessária uma resposta “muito humanista” para tratar a toxicodependência, mas simultaneamente “muito veemente” para impedir que estes comportamentos se alastrem e afetem a restante população.

Durante a conferência de imprensa, a comandante da Polícia Municipal, Liliana Marinho, revelou também que o Programa Especial de Intervenção e Segurança, que entra em vigor em setembro, será “mais abrangente” do que uma simples aposta na visibilidade policial. O objetivo passa igualmente por “lidar com os comportamentos aditivos e tentar retirar as pessoas dessa situação”.

Em articulação com a PSP, está a ser preparado o reforço do policiamento durante a noite, incluindo o prolongamento dos horários de presença policial. Segundo Liliana Marinho, muitas das ocorrências verificadas acontecem sobretudo “por volta das 5/6 da manhã”.

Pedro Duarte garantiu que a presença de agentes no terreno “vai ser muito visível já este fim-de-semana”, embora reconheça limitações ao nível dos meios e dos efetivos policiais, que têm dificultado uma presença “constante e permanente” naquela zona da cidade.

A comandante da Polícia Municipal explicou ainda que os principais ilícitos acompanhados pela força estão relacionados com a fiscalização de estabelecimentos, nomeadamente o cumprimento dos horários de funcionamento e das regras relativas ao ruído. A Polícia Municipal participa também em operações de natureza criminal em articulação com a PSP.

O Município pretende, por outro lado, reforçar o efetivo da Polícia Municipal com 80 novos elementos — quatro oficiais, 18 chefes e 58 agentes. O processo de recrutamento aguarda atualmente autorização da Direção Nacional da PSP.

Liliana Marinho acredita que o reforço permitirá assegurar “um policiamento ainda mais visível e intensivo na cidade”, numa estratégia que junta a expansão da videovigilância, o reforço policial e a entrada em funcionamento do novo programa de intervenção.