Serras do Porto: Projeto de 1,7 milhões de euros promove conservação da natureza em Paredes, Valongo e Gondomar
29/05/2026O projeto “Serras do Porto Natura 2030” foi apresentado no passado dia 28 de maio, no Parque Natural da Senhora do Salto, em Aguiar de Sousa, no concelho de Paredes, e representa um investimento de 1,7 milhões de euros destinado à conservação da biodiversidade nos concelhos de Paredes, Valongo e Gondomar.
A sessão foi presidida por Alexandre Almeida, enquanto presidente do Conselho Executivo da Associação de Municípios Parque das Serras do Porto, e contou com a presença dos autarcas de Gondomar e Valongo, respetivamente Luís Filipe Araújo e Paulo Esteves Ferreira.
A operação tem um investimento global de 1.765.332,23 euros, com uma comparticipação de 85% do fundo FEDER, cerca de 1,5 milhões de euros, no âmbito do programa NORTE 2030, e abrange uma área aproximada de 6.000 hectares, maioritariamente integrada na Rede Natura 2000. O projeto recebeu pareceres favoráveis da CCDR-Norte, do ICNF e da Agência Portuguesa do Ambiente.
A intervenção tem como principal objetivo a conservação da natureza, o restauro ecológico e a adaptação às alterações climáticas, procurando reverter a degradação ambiental e promover uma paisagem mais diversificada, com substituição progressiva da monocultura do eucalipto por espécies autóctones como carvalhos, castanheiros e medronheiros, conforme sublinhou Alexandre Almeida.
O plano inclui a reabilitação de 8,4 quilómetros de linhas de água nos rios Ferreira e Sousa, com recurso a soluções baseadas na natureza para recuperação de margens, estabilização de taludes e reforço da conectividade ecológica. Está ainda prevista a intervenção em mais de 110 hectares para controlo de espécies invasoras como acácias e háqueas.
Entre as medidas mais relevantes está também a aquisição de dois terrenos na zona das Águas Férreas, em Santa Justa, num total de cerca de 25 hectares, considerados essenciais para a proteção da salamandra-lusitânica, espécie vulnerável que encontra refúgio em antigas minas romanas da região.
O projeto aposta igualmente em inovação tecnológica, com a instalação de estações meteorológicas, sensores de fauna, câmaras de monitorização e drones, permitindo o acompanhamento contínuo da evolução das áreas intervencionadas. Está ainda prevista a utilização de análise de ADN ambiental para identificação de espécies aquáticas e fauna de difícil observação.
Para além da componente ambiental e científica, a iniciativa inclui uma forte vertente educativa e de envolvimento comunitário, com ações de sensibilização para escolas e população local, atividades de voluntariado para plantação de árvores autóctones, a edição de um livro infantojuvenil e a criação de uma peça de teatro, reforçando a ligação das comunidades ao território.
Alexandre Almeida destacou ainda a importância do envolvimento de escolas, juntas de freguesia e proprietários, sublinhando a ambição de transformar o Parque das Serras do Porto num exemplo de conservação ativa e, no futuro, numa oportunidade para desenvolvimento de créditos de carbono, contribuindo para a sustentabilidade ambiental e económica da região.
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