PS Maia acusa Emília Santos de desvalorizar impacto da crise dos exames na comunidade educativa
25/07/2026O Partido Socialista (PS) da Maia acusa a vice-presidente da Câmara Municipal e vereadora da Educação, Emília Santos, de privilegiar a defesa da atuação do Governo na polémica em torno da digitalização da correção dos exames nacionais, em detrimento das dificuldades sentidas por alunos, professores e famílias do concelho.
A notícia é avançada pelo jornal Maia Hoje, com base num comunicado enviado pelo Partido Socialista da Maia.
As críticas surgem na sequência de um editorial publicado por Emília Santos no jornal Povo Livre, órgão oficial do Partido Social Democrata (PSD), do qual é diretora, sob o título “A Responsabilidade de Governar em Tempo de Mudança”. No texto, a autarca defende a reforma do processo de correção digital dos exames, considerando que o Ministério da Educação substituiu “um modelo burocrático e desatualizado por um sistema digital mais eficiente e alinhado com as exigências contemporâneas”, acrescentando que inovar implica riscos, mas que o Governo demonstrou capacidade para lhes responder.
De acordo com comunicado citado pelo Maia Hoje, o PS considera que o editorial “ignorou por completo a realidade vivida nas escolas e pelas famílias do concelho”, criticando o facto de não existir qualquer referência à Maia, aos seus alunos, professores, escolas ou encarregados de educação.
Os socialistas defendem que, perante “uma das mais graves perturbações do sistema de exames dos últimos 30 anos”, a responsável pelo pelouro da Educação optou por defender a atuação do Executivo, em vez de assumir uma posição de proximidade com a comunidade educativa local.
PS recorda falhas no processo
No referido comunicado, o PS Maia enumera os principais problemas registados durante a primeira fase dos exames nacionais, entre os quais a suspensão temporária da plataforma digital, o adiamento da publicação das pautas, cerca de 1.400 provas com classificação suspensa, erros na divulgação de resultados, escolas obrigadas a prolongar horários de funcionamento e alterações de classificações que afetaram candidatos ao ensino superior.
O partido sustenta ainda que muitas destas falhas já tinham sido identificadas no projeto-piloto realizado em 2025, defendendo que a modernização da Escola Pública deve ser acompanhada por processos de avaliação e testes prévios antes da sua implementação em larga escala.
“A Vereadora escreve que inovar implica riscos. Implica. A questão é quem os corre. Neste caso, não foi o Governo. Foram os alunos”, refere o comunicado.
Propostas e críticas à atuação da autarca
O PS Maia considera que Emília Santos deveria ter acompanhado de forma mais próxima as dificuldades vividas nas escolas do concelho e anunciado medidas de apoio aos estudantes afetados. Entre as propostas apresentadas está a criação de um mecanismo municipal para comparticipar os custos dos pedidos de reapreciação de provas quando estejam em causa falhas reconhecidas no processo de classificação.
Os socialistas contestam igualmente a referência feita pela vereadora à existência de uma alegada “resistência corporativa”, entendendo que essa expressão desvaloriza o trabalho desenvolvido pelos professores classificadores, diretores escolares e responsáveis do Júri Nacional de Exames.
No final do comunicado, o PS conclui que “a prioridade de quem exerce o pelouro da Educação deve ser representar e defender os interesses da comunidade educativa local”, acrescentando que “a Vereadora teve a oportunidade de falar para a Maia. Escolheu falar para o Governo”.
No editorial publicado no Povo Livre, Emília Santos defende, por sua vez, que, apesar dos constrangimentos registados, o Governo respondeu com eficácia à implementação da correção digital dos exames, destacando a atuação do ministro da Educação, Fernando Alexandre, a realização de uma auditoria independente e as medidas adotadas para minimizar os impactos da situação. A autarca considera que o processo demonstrou ser possível “reformar com responsabilidade, modernizar sem comprometer a confiança pública e avançar sem ceder ao imobilismo”.
Foto: DR
Notícia realizada por Valerie D. e retificada por Ângelo Monteiro.
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