Ministério Público considera não existirem provas de crime na morte de 92 animais em Santo Tirso

Ministério Público considera não existirem provas de crime na morte de 92 animais em Santo Tirso

02/07/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

O Ministério Público defendeu, em tribunal, que não existem provas suficientes para sustentar a prática de crimes relacionados com a morte de 92 animais ocorrida durante o incêndio que, em julho de 2020, atingiu dois abrigos ilegais no concelho de Santo Tirso.

Nas alegações finais do processo, o procurador responsável pelo caso sustentou que a prova produzida ao longo do julgamento não permite concluir pela responsabilidade criminal dos cinco arguidos, entre os quais se encontram três responsáveis pelos abrigos, o veterinário municipal e a então coordenadora da Proteção Civil do concelho.

Embora sem o afirmar de forma expressa, a posição do Ministério Público aponta para a inexistência de elementos que justifiquem uma condenação dos arguidos pelos factos em apreciação.

Em sentido contrário, o advogado da associação Midas – Movimento Internacional em Defesa dos Animais – e da Sociedade Protetora dos Animais considerou que o julgamento demonstrou a existência dos crimes imputados, defendendo que os cinco arguidos devem ser condenados pela sua atuação e pelas consequências do incêndio.

Já os advogados de defesa sustentaram que os seus constituintes não tiveram qualquer responsabilidade na morte dos animais, argumentando que a tragédia resultou da rápida propagação do incêndio e não de qualquer conduta criminosa.

O caso remonta a julho de 2020, quando um incêndio rural atingiu dois abrigos ilegais em Santo Tirso, provocando a morte de 88 cães e quatro gatos. A ocorrência gerou forte indignação pública e motivou um intenso debate sobre a proteção animal, a atuação das autoridades e os mecanismos de resposta em situações de emergência.

O coletivo de juízes deverá agora analisar os argumentos apresentados pela acusação, assistentes e defesa antes de proferir a decisão final sobre um dos processos mais mediáticos relacionados com o bem-estar animal em Portugal.

Foto: DR