Megaoperação da PJ na Águas de Gaia faz 13 detidos por suspeitas de corrupção

Megaoperação da PJ na Águas de Gaia faz 13 detidos por suspeitas de corrupção

26/05/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

Uma megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) realizada esta terça-feira na empresa municipal Águas de Gaia, em Vila Nova de Gaia, resultou na detenção de 13 pessoas por suspeitas da prática de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, abuso de poder e branqueamento de capitais. Em causa estará um alegado esquema com um valor global estimado em oito milhões de euros.

A operação foi conduzida pela Diretoria do Norte da PJ, que executou cerca de 30 mandados de busca no Norte do país, abrangendo instalações empresariais, domicílios e a própria empresa municipal.

Durante a operação, as autoridades apreenderam viaturas de alta cilindrada, saldos bancários, instrumentos financeiros, três armas de fogo e dezenas de milhares de euros em numerário.

Entre os 13 detidos encontra-se Eunice Fonseca, assim como outros funcionários e altos quadros da Empresa Municipal Águas de Gaia e empresários de vários setores de atividade.

Segundo a investigação, os suspeitos terão sido responsáveis, desde 2024, pela celebração e execução de procedimentos de contratação pública com sociedades consideradas suspeitas pelas autoridades.

A Polícia Judiciária refere que a investigação incide sobre um alegado esquema organizado de criminalidade económico-financeira, envolvendo empresários do setor privado e funcionários da empresa municipal com poderes de decisão em processos de contratação pública.

De acordo com a PJ, os suspeitos terão criado uma estrutura organizada destinada a manipular procedimentos administrativos, favorecendo determinadas empresas através da antecipação de resultados, condicionamento de decisões e neutralização de mecanismos de controlo interno.

Os investigadores apontam ainda para a existência de relações funcionais e pessoais entre os intervenientes, bem como o recurso a canais informais de comunicação e a alegadas promessas de benefícios futuros.

A investigação surge depois de, em setembro de 2025, o então presidente do Conselho de Administração da Águas de Gaia, Miguel Lemos Rodrigues, ter sido suspenso de funções e acusado pelo Ministério Público de corrupção e outros crimes económicos relacionados com alegada viciação das regras da contratação pública.

A operação policial prossegue e os detidos deverão agora ser presentes às autoridades judiciais para primeiro interrogatório e aplicação de eventuais medidas de coação.

Foto: DR- Águas de Gaia