Greve de professores encerra mais de uma centena de escolas em todo o país
15/06/2026A greve nacional dos professores do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico provocou esta segunda-feira o encerramento ou condicionamento do funcionamento de mais de uma centena de estabelecimentos de ensino em Portugal. Os dados foram divulgados pela plataforma cívica metaPROF, através do observatório digital “Greve ao Minuto”.
De acordo com o balanço realizado às 10h00, pelo menos 138 escolas em 62 concelhos registavam impactos decorrentes da paralisação. A maioria das ocorrências concentrou-se nas regiões costeiras, com destaque para as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, onde se verificaram os maiores níveis de adesão.
A greve foi convocada conjuntamente pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.TO.P.), pelo Sindicato Livre dos Educadores e Professores (SPLIU) e pelo Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação (SINAPE). Ao longo da manhã, a plataforma de monitorização registou um aumento significativo de relatos, refletindo a forte participação dos docentes.
No centro das reivindicações estão os professores que exercem funções em regime de monodocência, responsáveis por acompanhar a mesma turma em várias disciplinas. Os docentes reclamam a equiparação das condições de trabalho às dos colegas dos restantes ciclos de ensino, defendendo uma redução do horário letivo para 22 tempos semanais.
Entre as exigências apresentadas pelos sindicatos encontra-se também a diminuição da carga horária em função da idade ou do exercício de cargos específicos. Os profissionais reivindicam ainda que as tarefas de acompanhamento e vigilância dos alunos sejam asseguradas por outros trabalhadores da comunidade educativa.
Outra das principais reivindicações passa pelo acesso à reforma aos 60 anos de idade. Os sindicatos justificam o pedido com o elevado desgaste físico e psicológico associado à profissão, considerando que as atuais condições de trabalho têm um impacto significativo na saúde e bem-estar dos docentes.
A contestação ganha força com os resultados de um inquérito recente promovido pelo Movimento de Professores em Monodocência (MPM) e pela metaPROF, que recolheu respostas de mais de sete mil docentes do ensino público. Segundo o estudo, 86% dos inquiridos consideram a monodocência uma profissão de desgaste rápido, enquanto 72% apontam a escassez de funcionários e de recursos humanos nas escolas como um dos principais problemas enfrentados diariamente.
Os sindicatos esperam que a forte adesão à greve contribua para sensibilizar o Governo para a necessidade de responder às reivindicações do setor e de melhorar as condições de trabalho dos professores do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo.
Foto: DR



