Gaia dá até dezembro para 42 comerciantes abandonarem Mercado de Artesanato do Cais
12/10/2026Autarquia pretende instalar comércio de luxo no espaço ribeirinho. Vendedores contestam a decisão e alertam para o risco de desemprego, numa petição que já reuniu mais de 500 assinaturas.
Os 42 comerciantes e artesãos do Mercado de Artesanato do Cais de Gaia terão de abandonar o espaço até ao final de dezembro, na sequência de uma decisão da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, que pretende destinar o local a comércio de luxo.
A informação foi avançada por Paulo Ferreira, representante dos vendedores, que revelou que a saída foi comunicada formalmente por correio eletrónico, depois de uma reunião com o vereador responsável pelo Turismo, Fernando Machado. Segundo o porta-voz, a autarquia considera a medida definitiva e pretende direcionar o espaço para clientes dos hotéis de cinco estrelas do concelho.
Com mais de duas décadas de funcionamento, o mercado reúne comerciantes e artesãos que, em muitos casos, trabalham no local há 10 ou 20 anos. Os vendedores manifestam preocupação com a perda da sua atividade profissional e com as dificuldades de acesso a alternativas.
A Câmara Municipal indicou a possibilidade de candidatura à Feira Municipal de Artesanato, cuja localização está prevista para o Jardim do Morro, junto ao tabuleiro superior da Ponte Luís I. No entanto, segundo Paulo Ferreira, existem apenas 40 vagas disponíveis, perante cerca de 100 potenciais candidatos, incluindo vendedores da feira que já funciona naquela zona.
Outro dos problemas apontados prende-se com a exigência da carta de artesão, documento que, segundo o representante, muitos dos atuais vendedores não possuem, por nunca ter sido necessário para exercerem a atividade no mercado.
Os comerciantes avançaram com um abaixo-assinado que contava com 518 assinaturas na tarde de sexta-feira. Entre as reivindicações estão a manutenção do mercado, a continuidade da atividade profissional e a abertura de diálogo com a autarquia para encontrar soluções alternativas ao encerramento.
Os vendedores já reuniram com representantes do Partido Socialista e pretendem levar o assunto à próxima Assembleia Municipal, com o objetivo de defender a permanência no Cais de Gaia.
No documento, os subscritores salientam a importância económica, cultural e turística do mercado, considerando que o espaço contribui para a divulgação do artesanato regional e para a identidade da zona ribeirinha.
A gestão da frente ribeirinha passou para a esfera das autarquias do Porto e de Gaia, na sequência de um acordo celebrado com a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, em julho.
Para já, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia não se pronuncia sobre o assunto.
Foto: DR



