Dezenas de professores da Maia divulgam carta aberta e critica atuação da vereadora da Educação
30/07/2026Docentes apontam falhas na gestão dos exames nacionais, contestam o modelo de “inovação digital” e acusam a tutela municipal de não defender os interesses da comunidade educativa.
Dezenas de professores de diferentes agrupamentos e escolas do concelho da Maia subscreveu uma Carta Aberta à Comunidade Educativa e à Opinião Pública, na qual manifesta preocupação com a situação da Escola Pública, na sequência das perturbações verificadas no processo dos exames nacionais e da atuação da tutela municipal da Educação.
O documento surge após a publicação do editorial «A responsabilidade de governar em tempo de mudança», assinado por Emília Santos, vice-presidente e vereadora da Educação da Câmara Municipal da Maia, que é também diretora do jornal Povo Livre.
Segundo os docentes, a carta foi elaborada por considerarem que o rigor pedagógico, a transparência e o respeito pela Escola Pública são matérias de inequívoco interesse público. Os signatários afirmam ainda que decidiram tornar pública a sua posição por entenderem que a comunidade educativa da Maia não esteve devidamente representada durante a recente crise que afetou os exames nacionais.
Na carta, os professores sustentam existir um conflito entre as funções institucionais da vereadora e as posições assumidas no referido editorial, considerando que a responsável municipal deveria ter defendido prioritariamente os interesses dos alunos, das famílias e das escolas do concelho.
Os docentes contestam igualmente a narrativa da denominada “inovação digital” aplicada aos exames nacionais. Defendem que o processo manteve a realização das provas em papel, posteriormente digitalizadas para classificação, sem garantir, na sua perspetiva, a necessária transparência e salvaguarda dos procedimentos. Por esse motivo, consideram que a designação de transformação estrutural não corresponde ao que efetivamente aconteceu nas escolas.
Outro dos pontos destacados na carta prende-se com a classificação das preocupações manifestadas pelos professores como uma alegada “resistência corporativa”. Os subscritores rejeitam essa interpretação, afirmando que as críticas decorreram da preocupação com os direitos dos alunos, da organização dos exames e da defesa da qualidade da Escola Pública.
Ao longo do documento, os professores defendem que, durante uma das maiores perturbações registadas nos exames nacionais dos últimos anos, a comunidade educativa esperava uma intervenção pública da responsável pela Educação no concelho da Maia em defesa dos estudantes, das famílias e dos estabelecimentos de ensino.
A carta termina com um apelo à defesa da Escola Pública, sublinhando que esta deve estar acima de interesses partidários e que exige “verdade, respeito e quem a defenda, independentemente de quem governa”.
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