Crise no IPO do Porto: 23 cirurgiões invocam falta de segurança e avançam com escusa de responsabilidade
16/04/2026Crise interna de grandes proporções afeta o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO). A causa do problema trata-se de um grupo de 23 cirurgiões gerais da instituição que avançaram formalmente com a entrega de declarações de escusa de responsabilidade, um mecanismo jurídico para alertar que não se encontram reunidas as condições mínimas de segurança para o exercício da medicina.
O centro do problema reside na gestão de escalas e na falta de recursos humanos, de acordo com as denuncias enviadas pelos sindicatos dos médicos. Os profissionais alegam estar a ser chamados para assegurar situações clínicas e urgências que excedem as suas competências especificas e áreas de especialidade. Este episódio, alertam os clínicos, cria um cenário de risco elevado, tanto para a eficácia dos tratamentos como para a própria segurança dos utentes, que podem ser assistidos por médicos sem a especificação técnica exigida para determinados casos oncológicos.
Os sindicatos reforçam que a submissão destas declarações serve como proteção legal para os profissionais perante eventuais falhas ou erros que possam ocorrer num contexto de trabalho que classificam como inadequado e perigoso. A falta persistente de médicos e o elevado desgaste das equipas são identificados como os principais motivos deste conflito.
Até ao momento, a administração do IPO do Porto não se pronunciou oficialmente sobre o protesto. Esta situação comprometerá o normal funcionamento das cirurgias programadas e o atendimento dos utentes que dependem desta unidade de referência na região Norte para o tratamento de doenças oncológicas.
Foto: DR
Texto produzido por: Eduardo Alves



