CCDR NORTE leva a Bruxelas debate sobre mobilidade e fixação da população

CCDR NORTE leva a Bruxelas debate sobre mobilidade e fixação da população

09/10/2026 0 Por Rmetropolitana

Álvaro Santos participa na Semana Europeia das Regiões e Cidades, num momento em que o Norte ganhou mais de 187 mil habitantes entre 2021 e 2025. Habitação, transportes e acesso a serviços estão entre os principais desafios para garantir a atratividade dos territórios.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE) vai levar a Bruxelas a discussão sobre mobilidade, habitação e coesão territorial, numa sessão da Semana Europeia das Regiões e Cidades 2026, marcada para 14 de outubro. O presidente da instituição, Álvaro Santos, participará num debate europeu sobre a importância da conectividade dos transportes para atrair e fixar população.

A sessão, subordinada ao tema «Ultrapassar os obstáculos ao direito de permanecer: como a conectividade dos transportes influencia a atratividade de um território», reunirá representantes da Comissão Europeia, responsáveis políticos e especialistas de várias regiões, com o objetivo de identificar soluções para tornar os territórios mais atrativos e garantir melhores condições de vida às populações.

A participação da CCDR NORTE acontece num período de evolução positiva dos indicadores demográficos da região. Segundo a publicação Norte Estrutura, entre 2021 e 2025, a população do Norte aumentou mais de 187 mil habitantes, correspondendo a um crescimento de 5,2%. Pela primeira vez, as oito sub-regiões registaram um aumento populacional, incluindo territórios do interior tradicionalmente afetados pela perda de habitantes.

Esta evolução foi impulsionada sobretudo pela imigração. No mesmo período, a região apresentou um saldo migratório positivo de 235,2 mil pessoas, compensando o saldo natural negativo. Em 83 dos 86 municípios do Norte, o saldo migratório foi positivo, tendo todas as sub-regiões registado também um aumento da população entre os 25 e os 64 anos.

Emprego cresce, mas persistem desafios

Os indicadores económicos acompanham esta tendência. No segundo trimestre de 2026, a Região Norte criou mais 37,2 mil empregos face ao período homólogo, enquanto a população empregada aumentou 2,1% e a taxa de desemprego desceu para 5,7%.

O salário médio mensal líquido atingiu os 1.289 euros, com um crescimento real de 3,7%, acima dos 3,3% registados a nível nacional. O emprego registado na Segurança Social aumentou nas oito sub-regiões e em 80 dos 86 municípios, enquanto o desemprego registado diminuiu em todas as sub-regiões e em 76 municípios.

Apesar dos resultados positivos, a CCDR NORTE alerta para a permanência de problemas estruturais, nomeadamente o envelhecimento da população, a renovação geracional e a evolução negativa do saldo natural, sobretudo nos territórios de muito baixa densidade.

«Não basta criar emprego para fixar população. Precisamos de garantir habitação, mobilidade, acesso a serviços e qualidade de vida em todo o território», defende Álvaro Santos, considerando que o crescimento demográfico recente demonstra a capacidade do Norte para atrair pessoas, mas também reforça a necessidade de criar condições para que escolham permanecer na região.

Habitação e mobilidade como fatores de coesão territorial

A posição que será apresentada em Bruxelas acompanha a defesa de políticas públicas ajustadas às diferentes realidades territoriais. Na abertura da 1.ª Cimeira Nacional do Alojamento Local, realizada no Porto, o presidente da CCDR NORTE sublinhou que os desafios habitacionais dos grandes centros urbanos são diferentes dos enfrentados pelas cidades de média dimensão e pelos territórios de baixa densidade.

Enquanto algumas localidades precisam de responder à pressão sobre a habitação, outras enfrentam a necessidade de criar atividade económica, recuperar imóveis, atrair investimento e aumentar a população residente.

Álvaro Santos defende, por isso, uma abordagem integrada entre habitação, turismo, reabilitação urbana, economia e coesão territorial, que permita distribuir os benefícios do crescimento turístico por regiões como o Douro, o Minho e Trás-os-Montes.

A mobilidade e a acessibilidade assumem, neste contexto, um papel determinante, permitindo aproximar as populações do emprego, dos serviços públicos e das oportunidades económicas.

Experiência do Norte no debate europeu

Na sessão de 14 de outubro, Álvaro Santos integrará um painel dedicado aos desafios territoriais, juntamente com representantes das regiões italianas do Piemonte e polaca de Lubuskie.

O programa inclui ainda uma intervenção de Marcos Gonzalez Alvarez, responsável pela Unidade CLIMA.B5 da Comissão Europeia, sobre o contributo do Fundo Social para o Clima. Um segundo painel, dedicado às soluções territoriais, contará, entre outros participantes, com José Ribau Esteves, presidente da CCDR Centro, e representantes de Friuli-Venezia Giulia e da Câmara de Comércio de Teruel.

O debate pretende cruzar experiências e políticas europeias em torno de um objetivo comum: garantir que as pessoas têm condições para permanecer nos territórios onde vivem, através de melhores transportes, acesso à habitação, emprego, serviços e qualidade de vida.

Foto: DR