Bispo do Porto destaca caminho sinodal e apela a uma Igreja mais participativa na Quaresma
20/02/2026O bispo do Porto, D. Manuel Linda, afirmou que está já em marcha o Sínodo Diocesano, sublinhando a necessidade de uma Igreja renovada, mais participativa e com um novo ardor missionário. As declarações foram feitas na Missa de Quarta-Feira de Cinzas, celebrada na Catedral do Porto.
“Nesta linha, está em marcha o nosso Sínodo Diocesano”, declarou o prelado, frisando que “somos chamados a novas relações no interior da Igreja e a um novo ardor na missão de a todos aproximarmos de Cristo”. D. Manuel Linda defendeu uma Igreja “não clerical”, onde “todo o santo povo de Deus assuma a responsabilidade inerente ao seu Batismo e Confirmação”.
Na homilia que marcou o início do tempo litúrgico da Quaresma, o bispo do Porto salientou que este é, acima de tudo, um tempo de reencontro com Deus. “O objetivo é sempre o reencontro com Deus. Ele procura-nos no lugar onde gosta de estar a sós connosco: no nosso íntimo”, afirmou.
Durante a Eucaristia, D. Manuel Linda recordou vários meios propostos pela Igreja para este “tempo de conversão”, entre os quais a leitura orante da Palavra de Deus, o recurso ao Sacramento da Penitência, o jejum e a abstinência, a solidariedade expressa na renúncia quaresmal e no contributo penitencial, bem como o compromisso com o silêncio interior, nomeadamente através de um uso mais regrado das redes sociais e da internet. Destacou ainda a importância da criação de “novas relações pacíficas e pacificadoras”.
Segundo o bispo do Porto, a conversão não é apenas um caminho individual, tendo também implicações sociais e eclesiais. “Socialmente, somos chamados a humanizar uma sociedade que corre riscos de frieza de relações e de desconhecer valores fundamentais que sempre deram sentido à existência coletiva”, afirmou, acrescentando que, no seio da Igreja, “a palavra de ordem é renovação, fidelidade ao Evangelho e correspondência ao que o Senhor Jesus sonhou para ela”.
Relativamente ao Sínodo Diocesano, explicou que este se encontra ainda em fase preparatória, apelando a todos os fiéis para um “duplo processo de conversão”: pessoal, através de uma maior proximidade a Deus, e comunitário, deixando para trás hábitos, estruturas e aspirações que já não respondem aos desafios do tempo presente. Pediu, por isso, docilidade “à voz do Espírito”, incentivando ao discernimento e à criação de novas formas de participação.
D. Manuel Linda sublinhou ainda que clero e leigos são chamados a um trabalho conjunto, num caminho sinodal de escuta, diálogo e acolhimento. “O clero tem de ser menos clerical e os leigos mais eclesiais”, afirmou, defendendo uma Igreja mais aberta e participativa.
No final da homilia, o bispo do Porto informou que esta Quaresma coincide também com o arranque efetivo das obras de renovação do Seminário de Nossa Senhora da Conceição. Reconhecendo a dimensão e os custos do projeto, apelou ao apoio de toda a diocese para um empreendimento que classificou como “caríssimo”, devido à localização e às exigentes condições técnicas da obra.
Foto: DR – Diocese do Porto



