PSD de Espinho vê eleição do líder anulada e aponta responsabilidade a Montenegro
02/05/2026A eleição para a presidência da concelhia do Partido Social Democrata em Espinho vai ser repetida, após decisão dos órgãos internos do partido que impugnaram o ato eleitoral realizado a 28 de fevereiro. O atual líder local, Ricardo Sousa, responsabiliza diretamente o presidente do partido, Luís Montenegro, apontando motivações políticas por trás da decisão.
Numa carta aberta dirigida aos apoiantes, Ricardo Sousa manifesta “enorme estupefação” pela anulação de uma eleição que, garante, “decorreu sem qualquer anomalia”. Em causa está uma alegada desconformidade detetada não na votação concelhia, mas nas eleições para os órgãos distritais de Aveiro, realizadas no mesmo dia.
O dirigente local considera que essa discrepância está a ser usada como pretexto para repetir um ato eleitoral autónomo. “Não podemos deixar de nos questionar se foi apenas porque a lista que assumiu a derrota tinha o apoio do presidente do partido e não foi o resultado que ele pretendia”, afirma.
Disputa interna prolonga-se
Este episódio surge na sequência de vários conflitos entre Ricardo Sousa e a direção nacional do PSD. Já antes das autárquicas de 2025, o jurista tinha sido inicialmente escolhido pelos militantes locais como candidato à Câmara Municipal de Espinho, mas viu a sua candidatura ser substituída após intervenção da estrutura nacional.
O nome alternativo, Jorge Ratola, então próximo de Montenegro, acabaria por vencer as eleições autárquicas. O processo foi contestado por Sousa junto do Tribunal Constitucional, sem sucesso.
Mais recentemente, na disputa pela liderança da concelhia, Ricardo Sousa venceu por apenas dois votos Carolina Marques, deputada e alegadamente apoiada por Montenegro. No sufrágio participaram 269 dos 304 militantes inscritos.
Irregularidades contestadas
Segundo o Conselho de Jurisdição Distrital, foram detetadas falhas na contagem de votos nas eleições distritais, com boletins em falta em diferentes órgãos. Contudo, Ricardo Sousa sublinha que os dois processos eleitorais eram independentes, com “urnas diferentes” e “votação autónoma”.
“O total de votantes na eleição concelhia coincide integralmente com os votos depositados, e a ata foi assinada pelos representantes da lista derrotada”, defende.
O dirigente critica ainda o que considera ser uma impugnação conduzida “em silêncio” e sem հնարավորություն de defesa, classificando o processo como um “simulacro de democracia”. Já apresentou recurso para o Conselho de Jurisdição Nacional.
Acusações e memória histórica
Na mesma carta, Ricardo Sousa recorda um episódio ocorrido há cerca de duas décadas, envolvendo o próprio Luís Montenegro, alegando que então foram admitidos a votar militantes não inscritos, num ato que terá influenciado o resultado.
Para o líder local, existe um “padrão comportamental” que ultrapassa o caso de Espinho e levanta dúvidas sobre o funcionamento interno do partido. “Quem vive nesta obsessão com o PSD de Espinho não pode estar concentrado nos problemas do país”, conclui.
Até ao momento, a estrutura distrital de Aveiro não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre o caso.
Foto: DR



