Porto destaca-se como Município com menor desperdício de água entre as cidades portuguesas mais populosas
06/04/2026O Município do Porto afirma-se como uma das referências nacionais em eficiência hídrica, ao registar o mais baixo nível de desperdício de água entre as cidades portuguesas mais populosas. O resultado foi alcançado em 2025 e traduz-se numa redução das perdas para 11,8%, o melhor valor de sempre da autarquia e da empresa municipal responsável pela gestão do sistema.
O desempenho foi atingido através do trabalho desenvolvido pela empresa municipal Águas e Energia do Porto, que conseguiu reduzir o índice de Água Não Faturada (ANF) em 0,5 pontos percentuais face ao período anterior. Este indicador coloca o Porto significativamente abaixo da média nacional e do limiar de “qualidade boa” definido pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos.
Segundo dados apresentados, o Porto apresenta um valor inferior a metade da média nacional, reforçando a sua posição enquanto referência no setor. Para a vice-presidente da Câmara Municipal, Catarina Araújo, este resultado demonstra o posicionamento da cidade na vanguarda da eficiência hídrica e da gestão sustentável dos recursos.
A marca agora atingida — abaixo dos 12% — representa um patamar técnico exigente, no qual novas reduções se tornam progressivamente mais complexas e dispendiosas. Ainda assim, a empresa municipal conseguiu continuar a melhorar o desempenho operacional, consolidando uma trajetória de eficiência contínua.
A redução da água não faturada tem impacto direto na sustentabilidade ambiental e na gestão dos recursos públicos. Menores perdas significam menos água desperdiçada, menor necessidade de captação, redução do consumo energético associado à bombagem, diminuição de custos operacionais e maior robustez no abastecimento.
Este indicador corresponde à diferença entre a água que entra no sistema e a que é efetivamente faturada, incluindo perdas reais, como fugas e roturas, perdas aparentes associadas a erros de medição e consumos não autorizados. A sua redução é considerada um dos principais indicadores de eficiência e qualidade de gestão dos serviços de água.
O desempenho alcançado resulta de uma estratégia sustentada ao longo do tempo, assente em tecnologia, planeamento e intervenção no terreno. Entre as medidas implementadas em 2025 destacam-se a monitorização contínua da rede através de 370 pontos de controlo, a deteção ativa de fugas — inclusive durante a noite — e a renovação de infraestruturas.
No último ano, foram substituídos 13,3 km de condutas, realizadas reparações no próprio dia em mais de 84% das avarias e efetuada a substituição de cerca de 10 600 contadores considerados de baixa fiabilidade.
A autarquia sublinha ainda a importância dos investimentos contínuos nas redes de abastecimento, saneamento e drenagem pluvial, especialmente num contexto de adaptação a fenómenos meteorológicos extremos. Catarina Araújo reforça que, apesar da abundância de precipitação no atual ano hidrológico, iniciado em outubro de 2025, a eficiência hídrica deve permanecer uma prioridade estrutural e permanente, face à evolução do stress hídrico nas últimas décadas.
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