PUB | Otorrinolaringologista alerta para a importância do diagnóstico precoce da perda auditiva
13/01/2026
Estima-se que em todo o Mundo aproximadamente 466 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de perda auditiva, sendo que deste total, cerca de 34 milhões são crianças, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esta situação pode piorar até 2050, prevendo-se que mais de 900 milhões de pessoas deverão apresentar perda de audição. Assim, mais de 5% da população mundial sofre neste momento de algum tipo de surdez.
Na população pediátrica, 6 em cada 10 crianças sofre de algum grau de perda auditiva de causa evitável.
As causas de surdez podem ser genéticas, causadas por complicações no parto, doenças infeciosas, infeções crónicas do ouvido, efeitos secundários de medicação, exposição a ruído excessivo e consequente ao envelhecimento natural. As consequências da perda auditiva podem ser temporárias ou definitivas dependendo da sua causa e pode ter diferentes graus, desde ligeiro a profundo.
A perda auditiva pode manifestar-se de diferentes formas:
– Desde logo, nos recém-nascidos e crianças em idade pré-escolar a aquisição de competências fundamentais como a linguagem está dependente de uma boa audição. Uma criança que não ouve não desenvolverá a linguagem. Uma criança com perda auditiva terá consequentemente alterações comportamentais, como por exemplo, atraso no desenvolvimento da fala.
– Em crianças em idade mais avançada, a perda auditiva está também associada a baixo rendimento escolar.
– Na população adulta e idosa a perda auditiva pode cursar por exemplo com mau rendimento laboral. Está também associada ao isolamento social, a sentimentos de vergonha e distanciamento nas relações sociais e pessoais por incapacidade de integração nas conversas. Tem sido também demonstrado uma importante associação entre perda auditiva e risco aumentado de demência e declínio cognitivo. Por tudo isto, é de crucial importância estarmos atentos a estes sinais que podem indiciar algum tipo de perda auditiva.
Assim, torna-se fundamental o diagnóstico precoce e consequente intervenção no âmbito da saúde auditiva.
A Organização Mundial de Saúde defende a avaliação auditiva global nas seguintes populações:
– nos recém-nascidos, através do rastreio auditivo que é universal e deve ser realizado sem exceção em todas as crianças.
– adultos de grupo de risco (exposição profissional a ruído) – estima-se que 10% da população portuguesa está exposta a níveis de ruído prejudiciais para a audição.
– anualmente a partir dos 60 anos de idade.
O diagnóstico da perda auditiva é feito com diferentes meios complementares de diagnóstico cuja aplicabilidade depende da idade. Assim, nos recém nascidos e crianças até aos dois anos de idade costumam ser realizadas as otoemissões acústicas e os potenciais evocados do tronco cerebral. Nas crianças mais velhas e adultos temos o audiograma tonal, vocal bem como o timpanograma e os reflexos estapédicos como meio de diagnóstico. Neste contexto, o seu diagnóstico precoce torna-se fundamental através de uma consulta de Otorrinolaringologia.
As soluções terapêuticas podem ir desde o tratamento farmacológico, cirúrgico, mais frequente por exemplo nas perdas auditivas das crianças por otites de repetição, ou diferentes formas de reabilitação com aparelhos auditivos, mais frequente na população mais envelhecida, permitindo melhorar a capacidade auditiva e consequentemente a qualidade de vida.
FOTOS: DR



