Mulher acusada de vender filho recém-nascido a casal de Gondomar por 2.500 euros
07/03/2026O Ministério Público acusou uma mulher de vender o filho recém-nascido por 2.500 euros a um casal residente em Gondomar, que também foi constituído arguido no processo, adiantou esta sexta-feira a Procuradoria-Geral Regional do Porto.
De acordo com a acusação, os três arguidos respondem pelo crime de tráfico de pessoas. Dois deles estão ainda indiciados pelos crimes de falsidade de testemunho e de falsas declarações.
Segundo a procuradoria, a mulher, quando residia no Brasil, terá anunciado na Internet a sua disponibilidade para conceber crianças e entregá-las a terceiros em troca de dinheiro.
Em dezembro de 2023, já grávida do companheiro — que desconhecia a gravidez —, a arguida foi contactada pelo casal de Gondomar, que viu nesta solução uma forma de contornar os formalismos legais da adoção.
Na sequência desse contacto, os três terão acordado que, após o nascimento, a criança seria entregue ao casal mediante o pagamento de 2.500 euros.
O bebé nasceu a 21 de janeiro de 2024, na residência da arguida, sem apoio de terceiros, mas acabou por sofrer complicações e foi internado no hospital.
Ainda durante o internamento, e para cumprir o acordo estabelecido, a mulher registou o recém-nascido em nome do arguido. O plano passaria depois por a arguida abdicar da guarda da criança, permitindo que esta fosse adotada pela mulher do casal.
Dias após a alta hospitalar, a mãe entregou o bebé ao casal e recebeu os 2.500 euros acordados.
O caso acabou por levantar suspeitas e levou à abertura de uma investigação pelo Ministério Público. Na sequência do processo, a criança foi retirada ao casal e encaminhada para uma instituição, onde aguarda integração no sistema de adoção.
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