Marés Vivas deixa Vila Nova de Gaia e muda-se para Matosinhos em 2026

Marés Vivas deixa Vila Nova de Gaia e muda-se para Matosinhos em 2026

31/01/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

O festival Meo Marés Vivas vai deixar Vila Nova de Gaia e realizar-se em Matosinhos, já na próxima edição, marcada para os dias 17, 18 e 19 de julho de 2026. A informação foi confirmada este sábado pelo presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, numa publicação na sua página oficial de Facebook, na qual revelou também que a autarquia de Matosinhos manifestou interesse em negociar com os promotores do evento.

Na publicação, Luís Filipe Menezes recorda que, durante a campanha eleitoral, assumiu o compromisso de deslocalizar o festival da freguesia da Madalena para o interior do concelho, defendendo uma distribuição mais equilibrada dos grandes eventos pelo território municipal. O autarca afirma ter apresentado “uma localização magnífica no interior do concelho, junto à CREP [Circular Regional Exterior do Porto], com melhores acessos e estacionamento”, mas garante ter sido alvo de “pressão e até chantagem” para recuar nessa decisão.

“A pressão e a ameaça de muitos emissários com a notícia de que o festival ia mudar para outro concelho foi diária”, escreve Menezes, sublinhando que respondeu sempre da mesma forma: “o presidente da Câmara de Gaia só tem uma palavra e nenhum empresário manda aqui”.

Um ano de pausa e “novo ciclo” em Gaia

O presidente da autarquia defende que “todo o território merece igual tratamento” e que o sucesso de um festival “não depende do local, mas do elenco” contratado. Numa comparação ilustrativa, afirma que “o Mick Jagger em Olival teria sempre mais público do que uma banda fatela no centro da capital do país”.

Luís Filipe Menezes admite um ano de intervalo em relação a grandes festivais de música em Gaia, garantindo, contudo, que o concelho regressará “ainda mais forte com uma grande iniciativa”. “Se tivermos um ano de intervalo, ninguém morrerá”, sublinha.

Para este ano, o autarca destaca a realização, em Gaia, de eventos como o Air Race e o Port Wine Fest, que, segundo diz, “vão ter mais de 20 vezes mais público que o falecido festival”. Anuncia ainda um “São João diferente e muito melhor”, animação semanal durante todo o verão no Jardim do Morro e na zona marítima, bem como a perspetiva de lançamento do primeiro festival de música no interior do concelho, que “crescerá com o tempo”.

Matosinhos confirma acolhimento

Na mesma publicação, Menezes revela que a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, “teve a gentileza” de questionar se poderia negociar com os promotores do Marés Vivas, tendo obtido resposta afirmativa. “A resposta foi sim”, escreveu o autarca gaiense.

A mudança do festival foi também comentada pelo vereador socialista na Câmara de Gaia, João Paulo Correia, que lamentou a saída do evento do concelho. “Infelizmente, Gaia perdeu o Marés Vivas para Matosinhos”, afirmou, considerando, no entanto, que o desfecho não foi inesperado. “Vivemos um ciclo do pára, corte e tira. Desta vez cai uma das melhores marcas associadas a Vila Nova de Gaia, que marcou e uniu várias gerações”, criticou.

Entretanto, nas redes sociais do Meo Marés Vivas, foi hoje publicada a mensagem “vem aí uma nova maré”, alimentando a expectativa em torno da nova fase do festival, agora com Matosinhos como palco da próxima edição.

Foto: DR