GNR apreende 1.800 pares de calçado contrafeito na Maia avaliados em mais de 36 mil euros

GNR apreende 1.800 pares de calçado contrafeito na Maia avaliados em mais de 36 mil euros

25/01/2026 0 Por Rmetropolitana

A Guarda Nacional Republicana (GNR) apreendeu, na sexta-feira, 25 de janeiro, 1.800 pares de calçado desportivo contrafeito no concelho da Maia, no distrito do Porto, com um valor comercial estimado superior a 36 mil euros.

Em comunicado, a Unidade de Ação Fiscal da GNR do Porto esclarece que a apreensão ocorreu no âmbito de uma ação de fiscalização realizada na Autoestrada A4, na zona de Águas Santas. O calçado ostentava diversas marcas registadas de renome e, de acordo com a Guarda, apresentava características que levam a presumir tratar-se de artigos contrafeitos.

Durante a operação, foram identificadas três encomendas endossadas a um indivíduo ainda não identificado, tendo sido elaborado um auto de notícia por infração às disposições legais previstas no Código da Propriedade Industrial. O condutor do veículo fiscalizado, pertencente a uma empresa transportadora, foi igualmente identificado.

Os factos foram comunicados ao Tribunal Judicial da Maia, prosseguindo agora os trâmites legais.

A GNR recorda que a contrafação continua a ter um impacto significativo a nível económico e social. Entre 2018 e 2021, as perdas anuais causadas por este fenómeno na União Europeia ascenderam a cerca de 16 mil milhões de euros, afetando sobretudo os setores do vestuário, cosméticos e brinquedos, e resultando na perda de quase 200 mil postos de trabalho.

O vestuário regista uma quebra de 5,2% nas vendas, correspondente a cerca de 12 mil milhões de euros, enquanto os cosméticos perdem 4,8% (3 mil milhões de euros) e os brinquedos 8,7% (1 mil milhão de euros). Anualmente, a contrafação provoca ainda a perda de cerca de 160 mil empregos na indústria do vestuário e 32 mil no setor da cosmética na União Europeia.

Em Portugal, só em 2019, as ações de fiscalização no comércio eletrónico levaram à suspensão de milhares de remessas e à instauração de mais de 70 processos-crime.

Além das perdas fiscais, a GNR sublinha que a contrafação representa um risco para a saúde e segurança dos consumidores e está frequentemente associada à exploração laboral, incluindo trabalho infantil e condições precárias nos países de origem. Esta ligação é analisada no estudo “Das Falsificações ao Trabalho Forçado”, desenvolvido pelo Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que documenta, pela primeira vez com base em dados estatísticos, a relação direta entre a violação dos direitos laborais e o comércio de produtos contrafeitos.

Foto: GNR