Convento de Francos, no Porto, está a ser parcialmente demolido para dar lugar a empreendimento com 15 fogos
27/01/2026O Convento de Francos, localizado na freguesia de Ramalde, no Porto, está a ser alvo de uma demolição parcial no âmbito da construção de um empreendimento imobiliário com 15 fogos, confirmou esta terça-feira a Câmara Municipal do Porto.
Abandonado desde 2001, o antigo edifício religioso integra um loteamento onde já existem outros prédios habitacionais, junto à estação de metro de Francos. A intervenção, que teve início no começo deste ano, resulta de um processo de licenciamento de obras de demolição e alteração, aprovado no anterior mandato autárquico.
Segundo a autarquia, no edifício correspondente ao convento está autorizada a demolição parcial, prevendo-se na frente urbana da Rua da Travagem a construção de três fogos, enquanto a poente está projetado mais um. No interior do edifício está prevista a criação de 11 fogos habitacionais.
O projeto contempla ainda um logradouro composto por espaços de utilização coletiva e áreas privadas afetas a cada uma das frações. A Câmara do Porto esclareceu também que o Banco de Materiais foi consultado, tendo sido identificados vários elementos do convento que deverão ser removidos e entregues ao município.
Nas imagens de arquitetura divulgadas no ‘site’ de promoção do futuro empreendimento, denominado “Porto Gardens”, não são visíveis elementos distintivos do traçado original do convento.
De acordo com o registo predial, o imóvel pertence desde 2020 à sociedade Socibwana Imobiliária, que em 2022 adquiriu ainda dois prédios adjacentes, posteriormente integrados no mesmo loteamento.
Criada em 2017, a Associação de Fiéis do Coração Imaculado de Maria tentou recuperar o imóvel com o objetivo de o transformar num centro de acolhimento espiritual e cultural, mas a falta de um investidor inviabilizou o projeto.
Com cerca de seis mil metros quadrados, parcialmente oculto por uma igreja com menos de um século e por uma rua de casas térreas, o Convento de Francos foi fundado em 1951, por iniciativa de Marianna Ignez de Jesus de Mello da Silva da Fonseca de Sampaio.
No início do século XXI, o espaço — o último convento de clausura da cidade do Porto — encerrou, o imóvel foi vendido e as religiosas que ali residiam foram transferidas para outros conventos do país, do Algarve ao Norte.
O convento esteve posteriormente na posse da Globalurbe, enquanto decorriam, a partir de 2017, tentativas de recuperação do imóvel, lideradas por Maria Teresa de Meireles Alte da Veiga, familiar da fundadora. Sem conseguir reunir os fundos necessários, a aquisição acabou por não se concretizar, tendo a proprietária decidido avançar para a venda do edifício em leilão ‘online’, com uma base de licitação de 2,8 milhões de euros.
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