Cerca de 150 pessoas protestaram no Porto contra intervenção dos EUA na Venezuela
05/01/2026Cerca de 150 pessoas manifestaram-se esta segunda-feira no Porto contra a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que levou à captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua esposa, criticando também a reação do Governo português e do ministro dos Negócios Estrangeiros por não condenarem a ação norte-americana.
O protesto foi promovido pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC). A dirigente da organização, Manuela Branco, acusou os Estados Unidos de uma “invasão” com o objetivo de “raptar o presidente Nicolás Maduro e a sua esposa”, apontando críticas ao Executivo português por, no seu entender, não ter assumido uma posição firme de condenação.
Para Manuela Branco, esta intervenção representa “um perigo para todos os países democráticos”, alertando para o que considera ser uma política de imposição baseada na apropriação de recursos naturais. A responsável defendeu ainda que a atitude norte-americana pode provocar “um grande retrocesso no mundo”, referindo declarações recentes sobre outros países como potenciais alvos da atual administração dos EUA.
Durante a manifestação, ouviram-se apelos à defesa do direito internacional e críticas à postura da União Europeia e de Portugal, considerada complacente pelos participantes. A dirigente do CPPC garantiu que os protestos irão continuar em várias cidades do país, apelando também a uma intervenção mais ativa das Nações Unidas.
Entre os cartazes exibidos destacavam-se frases como “Tirem as mãos da Venezuela” e “A América Latina não é o quintal dos EUA”, bem como bandeiras com a palavra “Paz”. Um dos manifestantes, Vítor Januário, afirmou que a paz é “aquilo que parece estar mais ameaçado na civilização”, acusando o Estado português de hipocrisia pela ausência de uma condenação clara da intervenção.
Também José Neves, um dos participantes mais jovens, explicou que marcou presença para denunciar uma violação do direito internacional, alertando ainda que a posição assumida por Portugal não oferece garantias à comunidade portuguesa residente na Venezuela.
A manifestação decorreu ao final da tarde, apesar do frio intenso que se fez sentir no Porto, reunindo participantes de várias faixas etárias.
No sábado, os Estados Unidos lançaram uma operação em larga escala contra a Venezuela para capturar Nicolás Maduro e a sua esposa, anunciando a intenção de governar o país até à conclusão de uma transição de poder. Ambos prestaram declarações esta segunda-feira num tribunal de Nova Iorque, onde se declararam inocentes das acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais. A próxima audiência está marcada para 17 de março.
A comunidade internacional permanece dividida entre a condenação da intervenção norte-americana e posições que saudaram a queda do Presidente venezuelano.
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