Boavista aponta falhas da SAD e justifica dívida de 9 milhões em tribunal
25/03/2026A Direção do Boavista FC enviou um extenso requerimento ao Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, no qual procura explicar a grave situação financeira do clube, marcada por um défice superior a nove milhões de euros. A notícia foi avançada pelo jornal A Bola.
No documento citado pelo jornal, os dirigentes liderados por Rui Garrido Pereira — entretanto afastados de funções pela administradora de insolvência — rejeitam acusações de falta de transparência e apontam responsabilidades à SAD, que consideram estar na origem do colapso financeiro.
Segundo a Direção, o modelo de funcionamento do clube dependia de um protocolo com a sociedade desportiva, que previa o pagamento mensal de 145 mil euros pela utilização de infraestruturas e ativos. No entanto, alegam, a SAD deixou de cumprir esse compromisso durante vários anos, acumulando uma dívida superior a nove milhões de euros.
“O clube foi vítima do colapso económico da sociedade desportiva”, defendem os responsáveis, sublinhando que o Boavista se tornou excessivamente dependente da SAD, que acabou por arrastar a estrutura associativa para uma situação de quase rutura.
O documento revela ainda que a Direção terá contactado mais de 30 potenciais investidores, mas sem sucesso, apontando a degradação desportiva e financeira da SAD como principal fator de afastamento de interessados.
No plano financeiro, os dirigentes justificam também atrasos contabilísticos e esclarecem que parte das verbas em falta — cerca de 47 mil euros — correspondem a donativos ainda sem recibo emitido. Os atrasos no processamento de salários e obrigações fiscais são atribuídos a um litígio com o anterior serviço de contabilidade.
O requerimento aborda ainda a relação com o investidor Gérard Lopez, referindo que este terá efetuado pagamentos em fevereiro de 2026, mas condicionando o apoio ao afastamento da Direção junto da administradora de insolvência — uma exigência criticada pelos dirigentes.
A Direção termina rejeitando qualquer cenário de má gestão e acusa a existência de uma tentativa de descredibilização do clube, insistindo que continua empenhada em garantir a sua sobrevivência.
O futuro do histórico emblema axadrezado fica agora dependente das decisões do tribunal, num momento considerado crítico para a continuidade da instituição.
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