Julgamento do caso de doping da W52-FC Porto recomeça a 15 de dezembro em Paços de Ferreira
31/10/2026A repetição do julgamento do processo de doping da extinta equipa de ciclismo W52-FC Porto começa a 15 de dezembro, às 09h15, em Paços de Ferreira, na sequência de uma decisão do Tribunal da Relação do Porto que determinou a realização de novo julgamento e a reformulação do acórdão.
A audiência decorrerá no pavilhão anexo ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, no distrito do Porto, por razões de espaço, segundo um despacho do Tribunal de Penafiel.
Em setembro, o Tribunal da Relação do Porto considerou ilegal a utilização das declarações prestadas por Nuno Ribeiro, antigo diretor desportivo da equipa, durante o primeiro julgamento, por terem sido lidas a partir de um documento escrito previamente preparado. A decisão surgiu na sequência de recursos apresentados por Adriano Quintanilha, antigo proprietário da equipa, e pela Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo.
Com a repetição do julgamento, a defesa de Nuno Ribeiro já manifestou a intenção de voltar a prestar declarações. O advogado Tiago Batista Máximo afirmou que o seu constituinte pretende esclarecer as questões consideradas relevantes para a descoberta da verdade e para uma decisão judicial fundamentada.
Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro condenados a penas efetivas
Em dezembro de 2025, o Tribunal de Penafiel condenou Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro a quatro anos e nove meses de prisão efetiva, no âmbito do processo «Prova Limpa», que envolve 26 arguidos, entre os quais antigos ciclistas.
Na primeira decisão, o tribunal considerou que Quintanilha teve um papel central na organização do esquema de doping, atribuindo-lhe responsabilidade na decisão final sobre os pagamentos relacionados com substâncias e métodos dopantes.
Durante o julgamento, em novembro de 2024, Nuno Ribeiro admitiu a existência de doping ao longo de todo o ano na equipa, responsabilizando o então proprietário e rejeitando ser o principal responsável pelo esquema. O antigo diretor desportivo alegou ainda ter sofrido pressões e ameaças.
Além de Quintanilha e Ribeiro, vários antigos ciclistas da W52-FC Porto foram condenados a penas de prisão suspensas inferiores a dois anos e meio. Entre eles encontram-se João Rodrigues, Rui Vinhas, Ricardo Mestre, Samuel Caldeira, Daniel Mestre, José Neves, Ricardo Vilela, Joni Brandão, José Gonçalves, Jorge Magalhães e André Freitas.
A repetição do julgamento deverá permitir ao tribunal reapreciar o processo à luz da decisão da Relação do Porto e reformular o acórdão relativo a um dos casos de doping mais mediáticos do ciclismo português.
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