Rendas de bilros de Vila do Conde avançam para o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial

Rendas de bilros de Vila do Conde avançam para o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial

01/10/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

As rendas de bilros de Vila do Conde deram mais um passo no processo de valorização e salvaguarda deste saber tradicional, com a formalização da proposta de inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI).

A candidatura foi apresentada pela Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC), que entregou o respetivo dossiê ao Património Cultural, IP.

O processo resulta de vários meses de investigação e documentação, envolvendo rendilheiras, instituições, parceiros e a comunidade local. O trabalho permitiu reunir informação sobre a história e evolução da tradição, as técnicas de execução, instrumentos e materiais utilizados, padrões, formas de produção e modos de transmissão deste conhecimento.

A operação incluiu também um levantamento sociodemográfico das rendilheiras, recolha de fotografias, documentos e testemunhos, sessões de trabalho e workshops, incluindo ações destinadas a aproximar as gerações mais jovens desta tradição.

A ADAPVC considera a entrega da proposta uma etapa importante para preservar as memórias, conhecimentos e práticas associados às rendas de bilros, mantendo o papel central da comunidade na continuidade deste património.

A eventual inscrição no inventário nacional poderá abrir caminho a um objetivo mais ambicioso: a candidatura das rendas de bilros de Vila do Conde à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da UNESCO.

A tradição está associada a Vila do Conde há vários séculos e é transmitida de geração em geração, sobretudo entre as mulheres da comunidade. A origem desta arte remonta, segundo a ADAPVC, ao século XVI, embora a sua génese continue a ser objeto de discussão histórica.

O processo agora entregue será analisado pelo Património Cultural, IP, enquanto a associação pretende prosseguir o trabalho de salvaguarda, valorização e transmissão de uma das expressões mais marcantes do património cultural de Vila do Conde.

Foto: DR