PS quer que Câmara do Porto classifique zona do Bessa como Área de Reabilitação Urbana para proteger Boavista
20/07/2026O Partido Socialista (PS) vai propor na Câmara Municipal do Porto a classificação da zona desportiva do Bessa como Área de Reabilitação Urbana (ARU), defendendo que esta medida é essencial para proteger o património do Boavista Futebol Clube e contribuir para a recuperação de um dos emblemas históricos da cidade.
Na proposta, intitulada “Em defesa do Boavista Futebol Clube e da zona desportiva do Bessa”, os vereadores socialistas defendem que o executivo municipal reafirme a rejeição de qualquer alteração ao Plano Diretor Municipal (PDM) que permita desvirtuar a vocação desportiva da área ou aumentar a capacidade construtiva para além do que já se encontra previsto, exceto quando esteja em causa a preservação do património desportivo.
Além da classificação urgente do Bessa como Área de Reabilitação Urbana, o PS considera que a preservação deste património é “vital para assegurar um futuro” ao Boavista Futebol Clube e “primordial para assegurar a permanência de uma cidade equilibrada, cómoda e onde se possa viver com qualidade”.
Os socialistas defendem ainda que a Câmara do Porto assegure condições para a continuidade da prática desportiva das várias modalidades do clube, apelando à administradora de insolvência para que tenha em consideração a relevância social do Boavista. Na qualidade de acionista da Boavista SAD, o município deverá igualmente intervir para promover o urgente encerramento da sociedade desportiva, que o PS considera ser um fator adicional de instabilidade para o clube.
Na proposta, os vereadores socialistas afirmam que “há domínios em que a intervenção do município se justifica plenamente” e defendem que a autarquia pode desempenhar um papel determinante na sobrevivência e no ressurgimento do Boavista. “Representando o sentir e a vontade dos portuenses, a autarquia deve fazer o que estiver ao seu alcance para ajudar o Boavista a superar este momento muito infeliz e delicado”, pode ler-se no documento.
A iniciativa surge numa altura em que o Boavista enfrenta uma grave crise financeira e institucional. A administradora de insolvência anunciou recentemente o encerramento da atividade do clube até ao final de julho, depois de não terem sido assegurados os fundos necessários para suportar as despesas correntes, colocando em risco cerca de 1.500 atletas, distribuídos por 31 modalidades.
Entretanto, um movimento de associados, adeptos e encarregados de educação conseguiu reunir a verba necessária para permitir a reabertura das instalações do Estádio do Bessa. Apesar desse esforço, mantém-se prevista para 31 de julho a entrega das chaves do estádio e dos espaços adjacentes à massa insolvente. O movimento “Salvar o Boavista” continua, contudo, a angariar donativos, tendo já reunido cerca de 50 mil euros, numa tentativa de evitar o encerramento definitivo do histórico clube portuense.
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