Antigo Capitão do Boavista exige responsabilização pela crise no clube e critica dirigentes, Liga, FPF e Câmara do Porto
17/07/2026O antigo capitão do Boavista, Rui Casaca, manifestou-se publicamente sobre o encerramento da atividade do clube até ao final de julho, classificando a situação como uma “tragédia anunciada” e exigindo que sejam apuradas responsabilidades pelo colapso da instituição axadrezada.
Num extenso texto publicado na rede social Facebook, o ex-futebolista, que representou o Boavista entre 1984 e 1994, lamenta o impacto da decisão, que afeta cerca de 1.500 atletas de 31 modalidades, e deixa um apelo à responsabilização de quem considera ter conduzido o clube à atual situação.
“Quando um clube morre, morre também uma parte daqueles que lhe dedicaram a vida”, escreve Rui Casaca, questionando ainda como poderá explicar ao neto, inscrito no Boavista por sua influência, o encerramento da atividade de um clube que sempre lhe apresentou como motivo de orgulho.
O antigo capitão aponta críticas aos antigos dirigentes, acusando-os de má gestão, falta de rigor e decisões que colocaram em risco a sobrevivência de uma instituição centenária. Defende que os responsáveis devem prestar contas aos boavisteiros e, caso existam fundamentos, também perante a Justiça.
Rui Casaca dirige igualmente críticas à Câmara Municipal do Porto, acusando a autarquia de assistir ao “lento desmoronar” de um dos maiores símbolos desportivos da cidade sem apresentar uma estratégia para preservar o clube. O antigo jogador estende ainda as críticas à Liga Portugal, à Federação Portuguesa de Futebol e às restantes federações desportivas, considerando que as entidades falharam na proteção de um histórico do desporto nacional.
No texto, o antigo internacional português lamenta também o silêncio de empresários que, segundo afirma, demonstram proximidade ao clube em momentos de sucesso, mas que estiveram ausentes quando o Boavista mais necessitou de apoio.
Entretanto, a direção liderada por Rui Garrido Pereira aguarda os próximos desenvolvimentos do processo no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, procurando assegurar o regresso à competição, sobretudo dos escalões de formação. Para já, o encerramento das atividades mantém-se, obrigando à entrega das instalações do Estádio do Bessa e dos espaços adjacentes até ao próximo dia 31 de julho.
O Boavista suspendeu a atividade depois de falhar o depósito da verba necessária para suportar as despesas correntes junto da massa insolvente, situação que precipitou o encerramento temporário do clube.
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