Câmara do Porto exige ao Governo pagamento de défice de 12 milhões causado pela descentralização

Câmara do Porto exige ao Governo pagamento de défice de 12 milhões causado pela descentralização

26/05/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

O executivo da Câmara Municipal do Porto aprovou, por unanimidade, uma proposta apresentada pelo PS que exige ao Governo o pagamento do défice de quase 12 milhões de euros acumulado entre 2023 e 2025, no âmbito da descentralização de competências nas áreas da educação, ação social e saúde.

A proposta foi discutida na reunião do executivo municipal desta terça-feira e defende que o Estado deve compensar financeiramente os encargos assumidos pela autarquia, alegando que as verbas transferidas têm sido insuficientes para responder às novas responsabilidades.

Os socialistas defendem ainda o reforço da transferência financeira prevista para este ano, de forma a evitar o agravamento do saldo negativo, bem como a garantia de um financiamento adequado no Orçamento do Estado para 2027.

Durante a reunião, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, criticou o modelo de descentralização implementado pelo Estado, considerando que o processo acabou por representar apenas uma “delegação de tarefas para os municípios”.

“Como se tem provado, os municípios desempenham muito bem essas tarefas, melhor do que o Estado Central. A descentralização foi um passo positivo, mas deveria ter sido acompanhado pelo envelope financeiro adequado”, afirmou o autarca.

Pedro Duarte revelou ainda que a intenção do município passa por garantir que esta regularização financeira fique já contemplada no orçamento municipal de 2027.

A descentralização de competências para as autarquias tem gerado críticas em vários municípios do país, sobretudo devido à insuficiência das verbas transferidas pelo Estado para áreas consideradas essenciais, como a manutenção das escolas, os serviços de apoio social e os cuidados de saúde.

A Câmara do Porto junta-se, assim, ao conjunto de autarquias que reclamam uma revisão do modelo de financiamento, defendendo que o reforço das competências municipais deve ser acompanhado pelos recursos financeiros necessários para assegurar os serviços prestados à população.

Foto: DR- CM Porto