João Paulo Correia acusa executivo de Menezes de criar “um barril de pólvora” com decisão sobre a Suldouro
21/05/2026O líder da vereação socialista na Câmara Municipal de Gaia, João Paulo Correia, considerou esta terça-feira “gravíssima” a intenção do executivo liderado por Luís Filipe Menezes de pagar menos 70% à Suldouro, empresa responsável pelo tratamento e reciclagem de resíduos no aterro de Sermonde.
Durante a reunião de câmara, João Paulo Correia afirmou que a medida representa “uma irresponsabilidade” e “um barril de pólvora” para o futuro financeiro da autarquia. O socialista sustentou que a decisão “não é suportada por qualquer parecer jurídico” e alertou que a sua concretização poderá “custar muito caro” ao município.
A Suldouro, participada pelos municípios de Gaia e de Santa Maria da Feira, é responsável pela reciclagem e valorização de resíduos urbanos. Segundo o vereador socialista, a redução do pagamento à empresa irá “descapitalizar a Suldouro” e poderá abrir caminho a uma disputa judicial.
“Se a empresa avançar para tribunal, isto pode custar milhões de euros à autarquia, incluindo juros de mora”, advertiu João Paulo Correia.
O socialista relacionou ainda esta decisão com a administração da Águas de Gaia, afirmando que a medida “servirá para justificar a avença de 14 mil euros mensais auferida por Poças Martins”. Acrescentou que, caso o problema esteja nos valores pagos pelos materiais reciclados, então Luís Filipe Menezes “deve reclamar junto da ministra do Ambiente, que é quem define os valores”.
João Paulo Correia considerou também que a influência política do autarca gaiense junto do Governo “é muito reduzida”, comparando-a com a de Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto.
Concurso para chefias gera nova polémica
Na mesma reunião, o PS criticou o concurso lançado pela autarquia para 93 cargos de chefia, classificando o processo como uma “nulidade”. Os socialistas alegam que o concurso está “viciado” e anunciaram que irão apresentar uma “denúncia às autoridades”.
Outro tema em debate foi o fim do protocolo entre a Câmara de Gaia e oito Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). João Paulo Correia manifestou preocupação quanto ao futuro de cerca de 80 funcionárias afetadas pela decisão.
Em resposta, a vereadora da maioria PSD/CDS/IL, Elizabete Silva, garantiu que “não há motivo para preocupação” e assegurou que “o serviço continuará”. Segundo explicou, será lançado um novo concurso aberto a todas as IPSS do concelho, e não apenas às atuais entidades protocoladas.
Firmino Pereira acusa PS de “populismo”
A reunião foi conduzida pelo vice-presidente da autarquia, Firmino Pereira, que substituiu Luís Filipe Menezes nos trabalhos.
Firmino Pereira criticou duramente a postura do líder socialista, acusando João Paulo Correia de “populismo” e classificando a estratégia do PS como “radical”. Segundo afirmou, essa postura “conduzirá o PS a ficar fora do poder durante pelo menos uma década”.
As declarações surgiram depois de João Paulo Correia ter comentado a posição assumida pelo executivo gaiense em relação a notícias recentes sobre o município, acusando Luís Filipe Menezes de “querer ser o dono disto tudo”.
Foto: SulDouro



