Presidente da Junta de Vila do Conde suspeito de usar dinheiros públicos em despesas pessoais

Presidente da Junta de Vila do Conde suspeito de usar dinheiros públicos em despesas pessoais

09/05/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

O presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, Isaac Braga, está sob suspeita de alegada apropriação de dinheiros públicos para despesas pessoais, após terem sido divulgados movimentos bancários que incluem gastos em tabaco, restaurantes, hotéis, roupas de marca, perfumes e levantamentos em numerário sem justificação aparente.

Segundo dados conhecidos, estarão em causa milhares de euros em despesas consideradas incompatíveis com a atividade da autarquia. Entre os movimentos identificados constam quase 10 mil euros gastos numa loja de cigarros eletrónicos, mais de 8800 euros em restaurantes, 2500 euros em supermercados, além de transferências por MB Way para o próprio e para a mulher.

A situação inclui ainda levantamentos em numerário no valor total de 115 770 euros, alegadamente sem explicação documental conhecida.

O caso ganhou dimensão política depois de, na assembleia de freguesia de 29 de abril, nove dos 12 eleitos do PS se terem abstido na votação das contas da Junta referentes a 2025, permitindo o chumbo do documento pelos eleitos do PSD/CDS e do Chega. Os socialistas exigiam acesso a extratos bancários e outros documentos financeiros.

Isaac Braga, que cumpre o segundo mandato à frente da Junta de Vila do Conde, afirmou ter sido “apanhado de surpresa” com a posição dos eleitos socialistas. Ao JN, o autarca garantiu estar “tranquilo” e classificou as suspeitas como “infundadas”.

Entretanto, tanto a concelhia como a Federação Distrital do Porto do PS vieram a público manifestar preocupação com o caso. Em comunicado, a distrital socialista fala numa “quebra de confiança política” relativamente ao autarca e admite avançar com medidas políticas e estatutárias caso os factos venham a confirmar-se.

A confirmar-se a prática do crime de peculato, Isaac Braga poderá enfrentar a perda de mandato.

Foto: DR