1.º de Maio: Sindicatos Preveem Forte Adesão e Admitem Nova Greve Geral
01/05/2026O Dia do Trabalhador é uma das datas mais simbólicas da luta laboral a nível mundial, nascida das greves operárias de 1886 em Chicago, onde trabalhadores exigiam melhores condições, incluindo a jornada de oito horas. A repressão violenta desses protestos levou à consagração da data, em 1889, pela Internacional Socialista como um dia internacional de luta.
Em Portugal, o 1.º de Maio começou a ser celebrado ainda no século XIX, mas foi proibido durante o regime do Estado Novo, período em que se manteve como símbolo de resistência clandestina dos trabalhadores.
A sua maior expressão ocorreu após a Revolução de 25 de Abril de 1974, quando o 1.º de Maio desse ano reuniu multidões nas ruas, celebrando a liberdade recém-conquistada e afirmando os direitos laborais.
As comemorações do Dia do Trabalhador prometem mobilizar milhares de pessoas em todo o país, com as principais centrais sindicais a intensificarem o tom de contestação e a admitirem novas formas de luta, incluindo a possibilidade de uma greve geral.
A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses anunciou a realização de mais de três dezenas de iniciativas de Norte a Sul, esperando uma forte participação dos trabalhadores. Em declarações à Lusa, o secretário-geral Tiago Oliveira destacou que as ações visam denunciar o aumento do custo de vida, nomeadamente nos bens essenciais e combustíveis, bem como a falta de resposta do Governo.
A central sindical criticou ainda o pacote laboral em discussão, acusando o executivo liderado por Luís Montenegro de favorecer os interesses patronais. Neste contexto, a CGTP não exclui avançar com uma nova greve geral, considerando que “perante a dimensão do ataque, maior terá de ser a resposta”.
Entre as iniciativas previstas, destaque para o desfile em Lisboa, com início no Martim Moniz e término na Alameda D. Afonso Henriques, onde terá lugar um comício sindical. Já no Porto, a manifestação está marcada para a Avenida dos Aliados, com intervenções sindicais ao longo da tarde.
Também a União Geral de Trabalhadores prepara um conjunto de iniciativas, que terão lugar no Centro Desportivo Nacional do Jamor. O programa inclui atividades desportivas, sessões temáticas e intervenções político-sindicais, com a participação de dirigentes como Mário Mourão e Lucinda Dâmaso.
O secretário-geral adjunto da UGT, Sérgio Monte, antecipa uma adesão superior à habitual, sublinhando o contexto social e económico atual. Tal como a CGTP, também a UGT mantém em aberto a possibilidade de convocar uma greve geral, embora remeta qualquer decisão para depois da reunião de Concertação Social agendada para 7 de maio.
Hoje, a data mantém uma forte relevância em Portugal, sendo simultaneamente um momento de celebração e de luta. O 1.º de Maio recorda conquistas históricas, mas também reforça a necessidade de continuar a defender direitos, melhorar condições de trabalho e promover maior justiça social.
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