Câmara do Porto afasta-se da compra do Bessa e apela à responsabilidade do Boavista

Câmara do Porto afasta-se da compra do Bessa e apela à responsabilidade do Boavista

28/04/2026 0 Por Rmetropolitana

A Câmara Municipal do Porto esclareceu que não tenciona participar no leilão do Estádio do Bessa, remetendo a resolução da atual crise financeira e patrimonial para os órgãos dirigentes do Boavista. Num comunicado oficial, o executivo liderado por Pedro Duarte defendeu que a autarquia não deve intervir em processos desta natureza, de forma a preservar o regular funcionamento do mercado.

Esta posição surge numa altura em que cresce a pressão pública para uma eventual intervenção municipal. Uma petição tem vindo a ganhar destaque ao propor o reconhecimento do clube como património imaterial, bem como a classificação das suas infraestruturas como de interesse público. Ainda assim, o município sublinhou que qualquer participação numa hasta pública dependeria sempre de aprovação formal pelos órgãos autárquicos, cenário que, para já, está fora de hipótese.

Apesar de descartar a compra do complexo, a autarquia reconhece a relevância social do Boavista, destacando a sua história e o impacto na comunidade. O executivo mostrou-se particularmente preocupado com a continuidade da formação desportiva de centenas de jovens que utilizam diariamente as instalações, manifestando abertura para dialogar com as partes envolvidas no sentido de garantir essa atividade.

O Estádio do Bessa e o restante complexo encontram-se em leilão com um valor base fixado nos 38 milhões de euros, inseridos num processo de insolvência que ultrapassa os 150 milhões de euros de passivo. O prazo para apresentação de propostas decorre até 20 de maio, num contexto de grande instabilidade interna e contestação por parte de diferentes setores ligados ao clube.

Entre as vozes críticas, destacam-se o antigo presidente João Loureiro e a claque Panteras Negras, que têm apelado à proteção do património do clube face a interesses imobiliários. Paralelamente, a direção liderada por Rui Garrido Pereira tenta travar a venda, alegando uma avaliação abaixo do valor real dos ativos, enquanto grupos de associados avançam com ações judiciais e exigem uma assembleia geral para debater o rumo da instituição.

Foto: DR

Text produzido por: Eduardo Alves