Corticeira em Santa Maria da Feira leva cortiça portuguesa até à missão Artemis II da NASA
12/04/2026A cortiça portuguesa voltou a ganhar destaque internacional ao integrar a missão Artemis II da NASA, sendo utilizada como material essencial na proteção de componentes da nave espacial. A tecnologia tem forte ligação à indústria nacional, com destaque para a corticeira sediada em Santa Maria da Feira, responsável pelo desenvolvimento e transformação deste material inovador.
Produzida a partir do sobreiro, a cortiça foi convertida num material técnico conhecido como P50, utilizado no setor aeroespacial pelas suas propriedades únicas. Entre as principais características estão a elevada resistência a temperaturas extremas, a capacidade de absorção de energia e a flexibilidade para se adaptar a estruturas complexas, funcionando como um verdadeiro escudo térmico.
Esta não é a primeira vez que a cortiça portuguesa chega ao espaço, já que em 2022 também integrou a missão Artemis I. No entanto, a Artemis II assume um significado especial por se tratar da primeira missão tripulada à Lua em mais de 50 anos.
Segundo especialistas do setor, o material desempenha um papel crucial na proteção da nave, uma vez que, ao ser exposto a temperaturas elevadas, sofre uma transformação controlada que cria uma camada carbonizada, reforçando a resistência térmica e protegendo as estruturas internas.
A escolha por parte da NASA é vista como um reconhecimento da qualidade e fiabilidade da cortiça portuguesa, resultado de um processo de engenharia avançado e de rigorosos padrões de controlo.
A indústria corticeira nacional, com forte presença em Santa Maria da Feira, volta assim a afirmar-se num dos setores mais exigentes do mundo, demonstrando que materiais naturais podem ter aplicações de alta tecnologia e desempenhar um papel relevante em missões espaciais.
Foto: DR



