Correntes d’Escritas cruza literatura com fotografia, música, cinema e teatro na 27.ª edição

Correntes d’Escritas cruza literatura com fotografia, música, cinema e teatro na 27.ª edição

24/02/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

Apesar de a literatura ocupar o lugar central, o festival Correntes d’Escritas volta a afirmar-se, na sua 27.ª edição, como um espaço de cruzamento entre múltiplas linguagens artísticas, onde a palavra dialoga com a imagem, o som, o cinema e o teatro, reforçando a centralidade cultural da Póvoa de Varzim.

Ao longo do evento, o público poderá visitar quatro exposições. Na Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, “Ilhas”, de Rui Sosa, apresenta fotografias a preto e branco das “ilhas” poveiras, num registo de memória e alerta social sobre uma realidade marcada pela pobreza e invisibilidade.

“É Preciso Espaço Para Falhar”, de Márcia, revela a faceta plástica da artista musical, numa exposição que oscila entre o silêncio do olhar e a explosão expressiva da cor.

Em “Breviário Ilustrado do Tempo Contado”, desenvolvido em colaboração com a Bichinho do Conto, um texto de abertura de Álvaro Laborinho Lúcio conduz o visitante por uma redescoberta da história e da identidade do território, através de visões contemporâneas e fantásticas de vários ilustradores.

Já “Anunciata”, de Afonso Pinhão Ferreira, propõe-se captar o instante inaugural — a notícia, o presságio, a melodia que atravessa o silêncio — numa reflexão visual sobre o ato de anunciar.

A dimensão audiovisual ganha destaque nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro, às 21h00, na Igreja da Lapa, com “Supplica”, espetáculo de Helder Luís que revisita a memória da tragédia marítima de 1892, transformando-a numa experiência artística coletiva, suspensa entre o mar e a terra.

O cinema integra igualmente a programação. A 26 de fevereiro, às 21h45, o Cine-Teatro Garrett recebe a antestreia nacional de “De Lugar Nenhum – um retrato de Valter Hugo Mãe”, de Miguel Gonçalves Mendes, um retrato íntimo do escritor Valter Hugo Mãe, filmado ao longo de sete anos. No final da sessão, realizador e escritor conversam com o público. Antes da exibição, será apresentada a curta-metragem “Suave Mar”, de Sara N. Santos, construída a partir de fotografias antigas e centrada na efemeridade da vida e da memória.

O teatro assume também um papel especial nesta edição. Depois do êxito de “A Casa”, os mesmos criadores regressam com “Ninguém”, um novo desafio cénico que sobe ao palco do Cine-Teatro Garrett no dia 27 de fevereiro, às 21h15, com Álvaro Laborinho Lúcio, Luís Ricardo Duarte, Raquel Patriarca, Rui Spranger e Sílvio Fernandes em palco.

Mais do que um festival literário, o Correntes d’Escritas confirma-se como um território de encontro entre artes, memórias e vozes, consolidando-se como um dos mais relevantes eventos culturais do país e reafirmando a Póvoa de Varzim como palco privilegiado da criação contemporânea.

Foto: DR