Museu da Chapelaria em S. João da madeira inaugura exposição de chapéus em homenagem à luta contra o cancro infantil

Museu da Chapelaria em S. João da madeira inaugura exposição de chapéus em homenagem à luta contra o cancro infantil

08/02/2026 0 Por Angelo Manuel Monteiro

O Museu da Chapelaria, em São João da Madeira, inaugura no dia 15 de fevereiro a exposição “Chapéus com aTTitude – Criar com o coração”, que reúne chapéus concebidos por designers de renome e por profissionais do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, numa celebração do poder transformador da criatividade.

A mostra, que ficará aberta ao público até 12 de abril, coincide com o domingo de Carnaval e tem uma ligação direta à Luta contra o Cancro Infantil. Serão apresentados mais de 20 chapéus, combinando produtos formais e criações mais lúdicas, refletindo uma união entre expressão artística e solidariedade.

A iniciativa resulta de uma experiência realizada em 2024, quando o Museu da Chapelaria levou acessórios de cabeça ao Serviço de Pediatria do IPO para que crianças e jovens internados pudessem experimentá-los. Em 2026, a parceria repete-se no próprio museu, com algumas crianças do IPO a desfilar com os chapéus às 15:00, antes de os depositarem nas vitrinas expositoras.

“O nosso museu não é apenas um local que expõe objetos – é um espaço ao serviço da comunidade”, declarou à Lusa a diretora do Museu, Tânia Reis. “Com estes chapéus, vamos chamar a atenção para o cancro infantil e levar as pessoas a refletir sobre a sociedade em que vivemos, evitando que se tornem indiferentes ao que se passa à sua volta.”

Para o presidente do conselho de administração do IPO Porto, Júlio Oliveira, cada peça criada por profissionais da instituição reflete “criatividade, coragem e solidariedade”, sendo um testemunho do impacto positivo da arte e do envolvimento comunitário na vida dos doentes.

O projeto conta com a colaboração de designers e chapeleiros profissionais como Alexandra Moura, Andreia Lobato, Celso Assunção, Juliana Regadas – Le Trap, Katty Xiomara, Luís Stoffel e Sofia Caldas – Avo Atelier. No IPO, a produção foi coletiva, envolvendo médicos, enfermeiros, administrativos, investigadores e até o conselho de administração, incluindo o laboratório Outcomes Research Lab.

Entre os destaques da exposição está o chapéu de Celso Assunção, feito de feltro verde, que evoca personagens de fantasia como o Chapeleiro Louco de “Alice no País das Maravilhas” e a Fada Sininho de Peter Pan. “É uma peça artística que celebra o imaginário infantil e a magia dos heróis, uma metáfora visual da viagem para além do óbvio – uma homenagem aos mundos onde tudo é possível e cada criança encontra o herói dentro de si”, explica o autor.

Por sua vez, os chapéus do IPO usam metáforas mais imediatas: o Serviço de Gestão de Doentes apresenta um chapéu cujo topo reproduz um balão de ar quente, enquanto o Serviço de Radiologia exibe uma cartola verde com relevos de flores e plantas, remetendo a jardins e lugares preferidos pelas crianças internadas, segundo Tânia Reis.

A exposição pretende reforçar a importância dos cuidados paliativos pediátricos e sensibilizar a sociedade para os desafios enfrentados por crianças e jovens com doenças oncológicas, usando a criatividade e a arte como veículos de consciência e solidariedade.