Luís Filipe Meneses defende “cortar a direito” no PSD, fala em “putrefação democrática” e critica falta de coragem do Governo
24/01/2026O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Meneses, foi um dos oradores de destaque no almoço promovido pelos Trabalhadores Sociais Democratas (TSD), realizado este sábado em Vila Nova de Gaia, onde deixou duras críticas à atual situação política nacional, ao funcionamento interno do PSD e à atuação do Governo em áreas sensíveis do Estado.
No seu discurso, Meneses afirmou que o atual quadro político não revela vitalidade democrática, mas antes “um sinal de putrefação democrática”. Para o autarca, a proliferação de candidaturas e o fraco nível médio de alguns protagonistas políticos, quando comparados com momentos anteriores da vida democrática portuguesa, evidenciam uma situação de “decrepitude” que não deve ser ignorada.
Referindo-se às eleições presidenciais, o antigo presidente do PSD recordou o seu percurso enquanto líder partidário, sublinhando que foi o único ex-presidente do partido que saiu repetidamente à rua a apoiar um candidato que não era militante do PSD, mas que tinha sido formalmente aprovado em Conselho Nacional. Para Luís Filipe Meneses, essa decisão deveria ter obrigado todos os militantes a apoiar o candidato e a assumir publicamente essa posição.
Embora reconheça o direito ao silêncio, Meneses foi particularmente crítico em relação aos militantes e dirigentes que optaram por apoiar outros candidatos, defendendo que esses comportamentos deveriam ter consequências disciplinares. “Um partido não é um grupo de amigos que se mete numa camioneta ao fim de semana para ir jantar às termas e comer uma caldeirada”, afirmou, defendendo que um partido político exige solidariedade, responsabilidade e respeito pelas decisões coletivas.
No desenvolvimento da sua intervenção, o autarca de Gaia dirigiu também críticas diretas ao Governo, acusando-o de falta de coragem política na área da Segurança Social. Luís Filipe Meneses apontou concretamente os diretores regionais da Segurança Social do Porto e de Braga, considerando-os apoiantes do Partido Socialista, e acusou-os de favorecerem instituições, nomeadamente IPSS’s próximas do PS, na atribuição de apoios. Na sua perspetiva, o Governo deve assumir essa decisão política sem hesitações, mesmo que isso implique custos financeiros para o Estado. “Tenham a coragem de lhes pagar a indemnização e demiti-los”, afirmou, defendendo maior transparência e imparcialidade na gestão dos recursos públicos.
Evocando a história do PSD, Luís Filipe Meneses recordou a liderança de Francisco Sá Carneiro, com quem conviveu de perto, destacando momentos em que o fundador do partido “pegou na vassoura” para reformar profundamente as estruturas internas, mesmo quando isso implicou a redução significativa do grupo parlamentar. Segundo Meneses, essa determinação foi decisiva para que, poucos meses depois, o PSD alcançasse a primeira maioria absoluta da democracia portuguesa.
O presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia apelou ainda a uma atitude firme e sem receios por parte dos militantes, defendendo que não se deve ter medo de “cortar a direito” nem de confrontar dirigentes nacionais e membros do Governo quando algo está errado, sempre em nome do PSD e do interesse do país.
No plano interno do partido, deixou elogios à escolha de Sebastião Bugalho como cabeça de lista às eleições europeias, considerando-a uma excelente aposta e um sinal de coragem na valorização de jovens talentosos. Manifestou igualmente a sua identificação com Carlos Abreu Amorim, destacando a frontalidade e a capacidade de dizer o que é necessário, mesmo quando isso implica um discurso duro e incómodo.
Luís Filipe Meneses terminou a sua intervenção agradecendo a atenção dos presentes e sublinhando a importância do debate político sério e responsável, antes de dar lugar à intervenção de outros oradores no encontro promovido pelos Trabalhadores Sociais Democratas.
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