Isolamento extremo: idosa esteve morta dois anos sem ser notada no Porto
24/01/2026O esqueleto de uma mulher de 73 anos foi encontrado numa habitação no Porto, num caso que volta a lançar o alerta para o isolamento social dos idosos nos grandes centros urbanos. A vítima, que vivia sozinha, estaria morta há cerca de dois anos sem que vizinhos ou autoridades se apercebessem da situação.
A descoberta ocorreu num apartamento localizado no Bairro de São Roque da Lameira, após um alerta da médica de família, que estranhou a ausência prolongada da utente nas consultas do Centro de Saúde de Campanhã. Perante a falta de contacto, as autoridades deslocaram-se ao local, onde acabariam por encontrar apenas o esqueleto da idosa.
Fernanda, como era conhecida na vizinhança, vivia sozinha e mantinha uma rotina discreta. Segundo moradores do prédio, era uma pessoa de poucas conversas, raramente saía de casa e mantinha quase sempre portas e janelas fechadas. O silêncio prolongado acabou por não levantar suspeitas.
Durante algum tempo, quem vivia parede-meias assumiu que a idosa estivesse hospitalizada. O cheiro sentido durante alguns dias também não causou alarme, uma vez que a mulher era conhecida por acumular objetos no interior da habitação. Ao longo deste período, chegaram mesmo a ser afixados avisos de despejo na porta, que nunca obtiveram qualquer resposta.
A Polícia Judiciária está agora a investigar o caso para determinar com maior precisão o momento da morte e as circunstâncias em que ocorreu.
Este é mais um episódio que evidencia a fragilidade social de muitos idosos que vivem sozinhos, sublinhando a necessidade de maior proximidade, vigilância comunitária e acompanhamento social, sobretudo em cidades cada vez mais envelhecidas.
Foto: DR



