Empresa construtora de Vila do Conde entra em insolvência e deixa 68 trabalhadores no desemprego

Empresa construtora de Vila do Conde entra em insolvência e deixa 68 trabalhadores no desemprego

17/01/2026 0 Por Rmetropolitana

A construtora Lúcio da Silva Azevedo & Filhos, conhecida como Lucios, entrou em insolvência com um passivo superior a 51 milhões de euros, encerrando definitivamente a atividade e deixando 68 trabalhadores no desemprego. A empresa, com sede em Vila do Conde, acumulava dívidas a mais de 1200 credores.

De acordo com informações avançadas pela imprensa económica, a Lucios chegou a empregar cerca de 280 trabalhadores em 2019 e registava, nessa altura, uma faturação próxima dos 80 milhões de euros. No entanto, a partir de 2020, a empresa começou a enfrentar uma quebra acentuada de receitas, que desceram para 11,7 milhões de euros nesse ano e para cerca de 8,7 milhões em 2024. Ao longo desse período, os prejuízos acumulados rondaram os 25 milhões de euros, agravados pelo aumento dos custos e pelas dificuldades de acesso a financiamento.

Na tentativa de recuperar a viabilidade financeira, a construtora recorreu a dois Processos Especiais de Revitalização, em 2021 e no final de 2024, mas ambos foram rejeitados pelos credores. Já em fase de insolvência, foi apresentada uma proposta de aquisição no valor de dois milhões de euros, que previa a assunção de dívidas às Finanças, à Segurança Social e créditos salariais, mas a iniciativa acabou igualmente recusada.

Segundo o Jornal de Notícias, o Estado é o principal credor da empresa, com cerca de 10,7 milhões de euros, valor repartido entre a Caixa Geral de Depósitos, a Segurança Social e impostos em atraso. Entre os restantes credores destacam-se ainda instituições bancárias como a CGD e o Santander. Os ativos da empresa estão avaliados em cerca de três milhões de euros, montante manifestamente insuficiente para cobrir o total do passivo, conduzindo à liquidação da sociedade.

Ao longo de mais de 70 anos de atividade, a Lucios esteve envolvida em várias obras de referência no Norte do país, entre as quais a reabilitação do Pavilhão Rosa Mota, atual Super Bock Arena, e do Mercado do Bolhão, no Porto, bem como a construção de uma residência de estudantes no Avepark, em Guimarães, projeto que acabou por ser abandonado devido a dificuldades financeiras.

A empresa era gerida pela terceira geração da família Azevedo e integrava o grupo Azevedo’s. O encerramento da Lucios representa o fim de uma histórica construtora portuguesa, fortemente marcada pelas recentes dificuldades económicas do setor da construção.

Foto: DR